HOMOGENEIDADE TOLA
CULTURA DA ESTUPIDEZ

TEOLOGIA E DITADURA

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Numa das manifestações que realizamos no Rio, há uns sete anos, contra as mortes violentas no Estado, alguém que estava nos ajudando manteve o seguinte diálogo comigo:

 

- “É interessante estar hoje do outro lado”. 

 

- “Como assim?”, perguntei.

 

- “No regime militar eu participei da repressão nesse exato local (estávamos nas escadarias da Alerj), na época eu era militar da aeronáutica, e a ordem era vir para cá e atirar nos manifestantes “.

 

- “O que você testemunhou naqueles dias?”

 

- “Meus amigos lançavam dentro dos aviões, na base aérea da aeronáutica, aqui no Rio, os militantes políticos. Decolavam, e os jogavam no mar. Voltavam dando gargalhada, descrevendo o drama dos prisioneiros, que imploravam pelas próprias vidas. A Restinga de Marambaia funcionava como cemitério clandestino”.

 

Isso bate com o que meu pai dizia. Naqueles anos, ele trabalhava pela Polícia Federal. Acompanhou de perto os crimes praticados pelo Estado brasileiro. “Meu filho, jamais me esquecerei do que vi nos quartéis”. 

 

Que dias de trevas, que se somam às demais crueldades históricas praticadas pelo poder público do nosso país, sempre com a anuência de grande parte da sociedade. 

 

Tem gente que não tem vergonha desse passado, e não sente repulsa pela ideologia de quem até hoje o celebra. 

 

Como cidadão, democrata e cristão calvinista tenho horror a qualquer espécie de cerceamento das garantias constitucionais, da supressão da liberdade democrática e dos filhos de Adão exercendo poder absoluto. Como diz o apóstolo Paulo em Romanos 3. 

 

“Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos”.

 

Antonio C. Costa

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