ORANDO CONTRA
TEOLOGIA E DITADURA

HOMOGENEIDADE TOLA

Unknown
A igreja que fomenta a liberdade intelectual em questões secundárias, ainda que importantes, preserva a sua unidade, enriquece a sua comunhão e torna mais belo o seu testemunho perante o mundo. Uma igreja de direita, de esquerda, progressista, conservadora, revolucionária, reformista, é um golpe no ideal divino de preservação de uma unidade em torno do nome de Cristo, em meio às diferenças de opinião sobre o que não se constitui em fundamento da fé. Nesse sentindo, John Stuart Mill apresenta verdades sobre essa democracia intelectual perfeitamente aplicáveis ao mundo da teologia:

“Todo silêncio que se impõe à discussão equivale à presunção de infalibilidade... infelizmente para o bom senso dos homens, ocorre que sua falibilidade está longe de exercer sobre seu juízo prático a influência que sempre se lhe permite na teoria, pois embora cada um se saiba perfeitamente falível poucos julgam necessário tomar precauções contra sua própria falibilidade, ou admitir a suposição de que uma opinião qualquer, da qual se sentem muito seguros, possa ser um dos exemplos de erro a que reconheçam estar sujeitos... em proporção à falta de confiança em seu próprio julgamento solitário um homem sempre se baseia, com implícita confiança, na infalibilidade do ‘mundo’ em geral. E o mundo, para cada indivíduo, significa a parte deste com a qual entra em contato: seu partido, sua seita, sua igreja, sua classe social...”.[i]

Reputo essa advertência de Stuart Mill uma das mais importantes do ponto de vista do debate público: “Nas grandes preocupações práticas da vida, a verdade é tanto mais uma questão de reconciliar e combinar opostos, que apenas pouquíssimos possuem espírito suficientemente amplo e imparcial para fazer o ajuste próximo da correção...”.[ii]

 

Antonio Carlos Costa

Ps. Extraído do livro que estou escrevendo: "Azorrague: os conflitos de Cristo com as instituições religiosas do seu tempo". Será lançado ano que vem pela Editora Mundo Cristão.

[i]MILL, John Stuart. A liberdade. Utilitarismo, São Paulo, Martins Fontes, 2000. p. 30.

[ii]MILL, John Stuart. A liberdade. Utilitarismo, São Paulo, Martins Fontes, 2000. p. 73-74.

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