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junho 2017

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA MICHEL TEMER

Excelentíssimo Senhor Presidente da República Michel Temer,
 
cumpre a nós brasileiros tratar com honra o presidente do nosso país. Parte do nosso bem-estar depende do sucesso do seu governo. Ter um presidente eleito pelo povo custou muito à nossa democracia. Entre 1964 e 1985, não tivemos esse direito. Sendo assim, minha consciência exige que não atente contra a dignidade do mais alto posto da República. Lamento, contudo, dizer que pedir sua renúncia é exigência da justiça e do direito e forma de preservarmos instituição que nos é tão cara.
 
Vossa Excelência não tem o coração da maioria dos brasileiros. Mais de 90% da população não o vê e não o quer como presidente. Como governar o país com tamanho índice de rejeição? Esse povo não o elegeu.  
 
As acusações que pesam sobre o seu mandato são gravíssimas. A tal ponto, que hoje temos um presidente que passa a maior parte do tempo se defendendo dos crimes que lhe são imputados, em vez de governar. Mas, como se defender? Ninguém o ouve. Há evidência nas acusações: "Fartos elementos de prova, tais como laudos da Polícia Federal, relatórios circunstanciados, registro de voos, contratos, depoimentos, gravações ambientais, imagens, vídeos, certidões, entre outros documentos, que não deixam dúvida quanto à materialidade e a autoria do crime de corrupção passiva", como diz nota da Procuradoria-Geral da República.
 
Senhor presidente, o país está vivenciando um banho de sangue. Nossa estatística de homicídio é própria de países que se encontram em guerra civil. Os brasileiros vivem sob o espectro do medo. O desemprego tem levado ao desespero 14 milhões de trabalhadores, sem mencionar os subempregados, ansiosos por poderem trabalhar mais a fim de pagarem suas dívidas e viverem com um pouco mais de decência.
 
Presidente Michel Temer, seu apego ao cargo não pode estar acima da compaixão por esse mar de gente sofrida. Como esperar implementação de políticas públicas que atuem na diminuição das mortes violentas se hoje o seu foco é a preservação do seu mandato e não a preservação de vidas humanas que perecem nas nossas favelas? Sua permanência à frente da presidência da República e o consequente clima de incerteza política que gera têm adiado a retomada do crescimento econômico, sem o qual o trabalhador pobre volta no final do dia para o seu barraco não podendo anunciar para os seus que encontrou um meio honesto de fazer o pão chegar à mesa. 
 
Por amor ao povo brasileiro e pela defesa da instituição presidência da República, portanto, peço a sua renúncia. Lembrando que, essa mesma gente -que hoje assiste perplexa aos escândalos de corrupção que emergem todos os dias no noticiário e que amarga um dos piores serviços públicos do mundo-, em 2013, foi às ruas protestar no país inteiro, chegando ao ponto de invadir as dependências do Congresso Nacional.
 
 
Antônio C. Costa
 

LEITURA DA BÍBLIA E REORGANIZAÇÃO DA MENTE

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A leitura regular das Escrituras Sagradas reorganiza nossa vida mental. Há na Bíblia passagens capazes de acionar poderes adormecidos na alma, poderosas para despertar do seu estado de torpor a mente, eficazes para consolar o coração e persuasivas o suficiente para moverem a vontade.

Meditávamos ontem na nossa igreja sobre a promessa que Cristo fez a um pai cujo filho encontrava-se entre a vida e a morte: "Vai, disse-lhe Jesus; teu filho vive. O homem creu na palavra de Jesus e partiu" (Jo 4: 50). Creu na palavra de Cristo e partiu! Pense nas inúmeras aplicações, para as mais diferentes áreas da vida, que poderíamos fazer dessa resposta do pai em agonia à mensagem de Cristo.

A Bíblia predispõe a mente a funcionar de determinada forma. Para além dos versículos que comunicam fé, encontramos nela um tipo definido de universo para o qual ela mesma nos remete.

Ela nos faz pensar com esperança. Arranca dos dicionários palavras tais como: sorte, azar, destino, coincidência; chamando-as de terminologia pagã, e põe em seu lugar o linguajar divino: decretos eternos, governo soberano, poder irresistível, vontade imutável. E a que talvez seja a mais doce, providência!

As Escrituras nos sacam do mundo das leis de causa e efeito num sistema fechado, que nos empurra para um determinismo capaz de roubar a esperança, e nos remetem para um mundo onde o Criador ouve as orações dos seus filhos amados, intervindo soberana e sobrenaturalmente em suas vidas.

Leia a Bíblia. Estude-a em espírito de oração. Procure se prover de bons comentários das Escrituras e dicionários bíblicos. Permita que a Palavra de Deus lave a sua cabeça. Em assim fazendo, como aquele pai angustiado com o drama do seu filho, você botará o pé na estrada novamente a fim de caminhar na direção do milagre.

 

Antônio C. Costa


ARTE DE COMBINAR OS OPOSTOS

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Pouco antes das últimas eleições americanas, fui convidado pelo Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro a participar de um encontro com representantes dos partidos Democrata e Republicano.

Chamou-me a atenção um dado apresentado pela representante dos democratas: 60% dos americanos acompanham o noticiário pelo Facebook. Em conexão a isso, ela também afirmou que as pessoas geralmente buscam na internet o que corrobora seus pontos de vista políticos.

Isso é assustador.

Se você não ouve quem faz contraponto ao que lhe é apresentado como fato, aumenta a probabilidade de você crer em mentiras e trabalhar para os projetos de poder de políticos profissionais inescrupulosos.

Não apenas isso. Há mais um ponto crucial. Deixe-me usar as palavras do filósofo inglês do século 19, John Stuart Mill: "Nas grandes preocupações práticas da vida, a verdade é tanto mais uma questão de conciliar e combinar opostos... quando se encontram pessoas que, em relação a qualquer assunto, formam exceção à manifesta unanimidade do mundo, mesmo se o mundo estiver certo, é sempre provável que os dissidentes tenham a dizer algo digno de se ouvir, e que a verdade perca muito com o seu silêncio".

Sabe o que eu temo? Tomarmos gosto por ser enganados. Cristo declara que somos mentirosos. Em razão do nosso egoísmo, mentimos muito e só um milagre para ficarmos do lado da verdade contra nós mesmos. Sendo assim, continuaremos a ser ludibriados, enquanto marqueteiros bancados pelos donos do capital em conluio com lideranças de partidos políticos, bancando blogueiros e usando robôs, tramam a mentira que farão passar por verdade.

Ouça e caminhe com os diferentes, busque o fundamento das informações que lhe são passadas, procure saber para quem trabalham os seus autores favoritos.

A propósito, qual foi a última vez que você leu o melhor que foi produzido por aqueles de quem diverge?

 

Antônio C. Costa


SAUDADE DE JUNHO DE 2013

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Jamais vi o Brasil mais próximo de mudança política histórica do que nas manifestações de junho de 2013. O que houve de especial naqueles dias?

1. União suprapartidária. Não havia foco em nenhum partido político específico. Sobrou pra todo mundo. Todos apanharam. Pessoas das mais diferentes linhas ideológicas foram juntas às ruas.

2. Amplitude de pauta. Não se tratou de um grupo isolado lutando pelos seus interesses particulares. Queríamos mudança no sistema de representação política, melhoria na qualidade dos serviços públicos, uso mais criterioso do dinheiro dos impostos, combate à corrupção, entre outras reivindicações mais, todas profundamente republicanas.

3. Pressão diária. Era gente nas ruas, no país inteiro, todos os dias. Espetáculo memorável. Os poderes da República foram sacudidos. Presidente em pânico falando em rede nacional, Congresso de joelhos, Judiciário atônito. Poderia mencionar inúmeros exemplos do que eu mesmo testemunhei naqueles dias.

O que vejo hoje, era inimaginável para quem sonhou com a mudança naquele mês inesquecível, que nos levava a crer que tudo seria transformado radicalmente. Direita e esquerda caladas diante do escândalo do julgamento da chapa Dilma/Temer realizado pelo TSE, país dirigido por presidente sem a mínima legitimidade para governar, 14 milhões de desempregados, banho de sangue nas nossas cidades por conta da escalada das mortes violentas.

Difícil enumerar os descaminhos da nossa democracia. Não podemos deixar de mencionar as duas pontas desse momento crítico que o país está enfrentando: a perda de credibilidade das principais instituições da República e o sofrimento que atinge milhões de seres humanos.

Saudade daqueles dias. Estou entre os que se encontram de prontidão para voltar às ruas com os que não perderam a esperança.


PREGAÇÃO QUE MATA

Bible-pictures-sadducees-pharisees-1138177-wallpaperPode-se decretar a morte de uma igreja quando pessoas perecem sob púlpitos ortodoxos, porém, carentes do poder do Espírito Santo. Ouvir um pregador falar sobre vida, morte, inferno, crucificação do Filho de Deus, como se estivesse discursando sobre botânica, torna o coração dos ouvintes duas vezes mais endurecido do que se jamais tivessem ouvido falar nada sobre o cristianismo.

Como explicar tal fenômeno? O que leva um homem a falar sobre temas tão excelsos de modo tão gélido? Aqui vão algumas possíveis explicações:

1. O pregador não é convertido.

2. O pregador perdeu a liberdade no púlpito por estar resistindo à voz do Espírito Santo em alguma área de sua vida. Ter caso com alguma moça ou rapaz na igreja pode torná-lo afável, emotivo, lânguido. Não há teologia que resista a uma amante na vida do ministro.

3. O pregador ama ser visto como um acadêmico, que não se deixa jamais trair pelas emoções. Nada de se juntar a Cristo e chorar sobre Jerusalém. Não quero padronizar a expressão da verdadeira emoção. Contudo, todos nós sabemos a diferença entre pregar com graça, trazendo senso de transcendência à igreja que se encontra reunida, e passar apenas informação.

4. O pregador carece do fogo pentecostal por negligenciar o cultivo de uma vida de meditação nas Escrituras e oração.

5. O pregador está sob a influência da ortodoxia morta ou do liberalismo teológico. Ele pensa que ler os avivalistas do passado o faz ser um deles no presente. Ele entrou na área das Ciências Humanas por conta do seu interesse pela justiça social e passou a amar mais Marx, Max Weber, Durkheim, do que Jesus Cristo. Foucault tornou-se mais relevante para o mundo presente do que Jeremias, Isaías, Paulo.

Aplique testes à sua vida a fim de saber se o efeito das pregações que ouve o está aproximando mais de Deus.

Você tem hoje mais apreço pelo evangelho? Seus parentes e amigos o têm como pessoa amável e confiável? É crescente sua compaixão pelos miseráveis deste mundo? Você tem levado pessoas a Cristo? Odeia o pecado? Crê na justificação pela graça mediante a fé somente? Tem orado mais? O nome de Jesus é doce para o seu coração? Enquanto escuta a pregação seu espírito é tomado por encanto, louvor e amor?

 

Antônio C. Costa

 


LEI E ORDEM E A CULTURA DO CAPITÃO DO MATO

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Não é de hoje que políticos profissionais exploram o medo da violência para vender em suas campanhas eleitorais o discurso da lei e ordem. Em que consiste essa mensagem, tão bem explorada nas eleições americanas, e que será central nas próximas eleições no Brasil, país tão pródigo em importar o que não presta?

A mensagem básica é que a natureza humana é tendente ao mal e que a melhor forma de se combater a criminalidade é por meio da aplicação de penas severas e céleres associadas ao trinômio "tiro, pancada e bomba".

Estou entre aqueles que se juntam a Woody Allen e dizem: "eu não me surpreendo com as guerras, o que me surpreende é -sendo o homem quem é- não termos mais guerras ainda". O que quero dizer? Estou com o profeta Jeremias, o apóstolo Paulo e Freud. Há um lado perverso na natureza humana. As duas guerras mundiais estão aí para dizer que o homem é pecador.

Sendo assim, não dá para conceber um mundo sem leis, sanções penais e o monopólio do uso da força por parte do Estado. O que fazer quando surge um Adolf Hitler? Os tanques alemães teriam passado por cima de Ghandi.

O triste reconhecimento, contudo, da presença nos corações humanos dessa propensão ao mal pode nos levar a tomar caminhos diferentes no combate ao crime.

Podemos lutar, por exemplo, por modelo politico-econômico que não sirva de parteiro daquilo que temos de pior. Sociedades menos desiguais, nas quais a solidariedade humana é fomentada, podem atuar de modo profilático e preventivo.

Declarar que há trevas na alma humana não significa necessariamente dizer que furtar, matar e roubar sejam a meta de vida dos seres humanos. O objetivo supremo do homem é ser feliz. Praticar o crime não é fim, é meio. Somente em casos de psicopatologia severa que o homem é visto praticando o crime por esporte.

No Brasil, sempre seguimos a lógica do capitão do mato. Vamos mandar pegar o escravo rebelde e o trucidar para que sirva de exemplo aos demais. Nunca deu certo. Jamais paramos para indagar, por que ele fugiu da senzala? O brasileiro é violento. A boçalidade é traço antigo da nossa cultura.

Estamos, portanto, diante de dois caminhos: o modelo holandês ou Kim Jong-un. A harmonia social fundamentada na igualdade de oportunidade de vida e combate à miséria, ou a paz do cemitério, que tem como fundamento o terror.

 

Antônio C. Costa


CUIDADO COM OS CALVINISTAS

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"Whitefield nos diz mais que qualquer outra coisa -não basta a ortodoxia. Em certo sentido, João Calvino sempre precisa de George Whitefield. Com isso quero dizer que o perigo dos que seguem os ensinos de Calvino, o que fazem corretamente, é que tendem... a se afundar no que eu descreveria como uma 'ortodoxia ossificada". Isso não tem valor, meu amigo. É necessário o poder do Espírito sobre a ortodoxia".

Martyn Lloyd-Jones, fervoroso calvinista, fez esse alerta aos de sua geração. No seu tempo, ele viu as consequências deletérias para a vida da igreja de um calvinismo sem afeições santas. Ortodoxia morta. Mente cheia de doutrina e o coração vazio de graça.

Muitos no nosso país sabem que sou amante da teologia reformada. Durante os 10 anos em que fui apresentador de programa de televisão, fiz exposição ponto por ponto da Confissão de Westminster e do Catecismo de Heildelberg. Minha dissertação de mestrado foi sobre a tradição calvinista de espiritualidade, tal como exposta pelo grande Martyn Lloyd-Jones. Sei de muitos que se tornaram calvinistas em razão desse contato comigo. Tenho, contudo, um temor

Receio que a aproximação da fé reformada por meio do contato com o que prego leve pessoas a manterem relação com alguns calvinistas, dentro e fora do país.

Em que consiste o perigo?

1. Falta de fervor. Pregam como se não cressem. Seus corpos, suas expressões faciais, sua forma de apresentação da mensagem, não acompanham a beleza da doutrina, que muitas vezes sabem tão bem defender. Contam de David Hume, famoso filósofo escocês, ter sido flagrado indo ouvir George Whitefield. Ao que alguém lhe disse, "Pensei que você não acreditasse no evangelho". Hume respondeu: "Não acredito, mas ele acredita". Whitefield não banalizava mensagem que, como nenhuma outra, fala sobre vida e morte. Nada endurece mais o coração do pecador do que a pregação do evangelho sem a unção do Espírito Santo.

2. Ausência de zelo evangelístico. Temos denominação calvinista no país que encontra-se entre as que menos crescem numericamente. Como explicar tal fato? Na minha denominação, conta-se nos dedos igrejas com mais de mil membros, como esses dias me alertou o meu amigo Jeremias Pereira, da Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte.

O academicismo associado às aplicações indevidas da doutrina da predestinação são em grande parte responsáveis pelo declínio de igrejas inteiras. O que falar sobre o papel desempenhado pela liturgia sem transcendência nesse esvaziamento de igreja?

3. Identificação com o conservadorismo de direita norte-americano. Sinto-me hoje no dever de dizer, "sou reformado, mas não creio como essa gente crê". Eles querem nos convencer que seus pontos de vista sobre política e economia são chancelados pela tradição reformada e pelas Escrituras. Esses dias, trouxe para as redes sociais passagens tiradas dos escritos de Calvino que apresentam o que o grande reformador francês pensava sobre a missão ao pobre, o uso da riqueza, a agiotagem dos bancos, a opressão da classe trabalhadora. Teve gente que ficou tão aturdida, que chegou ao ponto de dizer: "Você tirou as passagens dos seus respectivos contextos".

Sou um calvinista que não tolera o discurso de lei e ordem e o tipo de modelo político-econômico que querem implantar no país. Outro ponto, ensinar que o cristianismo é sinômino de conservadorismo -enquanto ao lermos os evangelhos vemos Cristo desferindo golpes mortais na tradição, sem, entretanto, apresentar uma visão de mundo relativista-, é remata cooptação ideológica e rendição cultural.

Há luz e trevas no calvinismo brasileiro, tal como pode ser observado em todas as demais tradições de espiritualidade presentes nas mais diferentes denominações evangélicas do país. Continuo a dizer, plagiando alguém de quem não me recordo, "que há flores que só nascem no solo calvinista"; mas por amor a você que está se aproximando desse mundo, que é de fato fascinante, faço um alerta: veja com quem você está se associando e a quem está ouvindo. Se isso está transformando-o num girino espiritual, cabeça grande, mas nenhum corpo de verdade, você pode estar se aproximando da teologia dos demônios, que, por sinal, são todos calvinistas, uma vez que conhecem a verdade e tremem diante dela.

 

Antônio C. Costa


IGREJA COMO EVIDÊNCIA SOCIOLÓGICA DA VERDADE

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"Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros" (Jo 13: 34-35)

A presença do amor cristão na comunhão da igreja é evidência insuperável de uma real apreensão da verdade do evangelho. Se falharmos aqui, estaremos negando com a vida o que declaramos ser verdadeiro com os lábios. Senão vejamos.

Dizemos que o homem é pecador por não viver em amor para a glória de Deus. Afirmamos que Cristo é o Salvador daqueles que desaprenderam a amar. Ensinamos que por meio da fé no Senhor Jesus obtemos perdão de pecados e o Espírito de amor vem habitar em nosso coração ensinando-nos a viver o amor de Cristo.

Declaramos que a igreja é a comunhão dos que receberam uma nova natureza, fruto da obra regeneradora da graça divina, cuja principal manifestação é o amor. Portanto, sociedade santa, amável, bela. A comunidade dos amados de Deus, em cujo caráter o Criador se deleita, uma vez que Ele tem prazer em tudo o que se parece com Ele.

Jamais seremos levados a sério por quem nos ouve, portanto, enquanto o amor não for o traço mais proeminente da forma como tratamos uns aos outros dentro da igreja.

Apresento alguma sugestões práticas para que a igreja seja transformada em evidência sociológica da verdade que está em Cristo:

1. Revelarmos o amor pelos irmãos no modo como nos reportarmos a eles nas redes sociais. Aqui não é lugar para tratarmos em público o que dever ser abordado em secreto. É pecado expor as fraquezas dos irmãos, maculando seus nomes, inviabilizando sua utilidade pública. Todo nosso comportamento deve ser regulado pelo desejo de edificar. Lembre-se que, chamar alguém de tolo nos expõe ao justo juízo de Deus, como Cristo nos ensinou. Não temos o direito de quebrar a auto-estima de ninguém.

2. Revelarmos o amor pelos irmãos não tratando com indiferença a nenhum deles, especialmente, os pequeninos. Todo irmão ao ter contato conosco tem de voltar para casa sentindo-se mais amado por Deus.

3. Revelarmos o amor pelos irmãos compartilhando o que temos com aqueles que vivem na pobreza. Ajude-os a pagarem suas dívidas, a manterem seus filhos na escola, a comprarem casa própria, a botarem o pão na mesa, a desenvolverem-se como pessoas, a qualificarem-se para o mercado de trabalho, a encontrarem emprego.

Há muito mais o que ser falado. Ressaltei esses três pontos por considerá-los pecados graves presentes hoje nas nossas igrejas.

Fico imaginando uma igreja bem preparada intelectualmente, na qual as Escrituras sejam expostas com coragem, capaz de exercer influência política e cultural na sociedade, comprometida com a evangelização dos perdidos e por meio de cujo amor entre seus membros revela à humanidade como o mundo seria se todos fossem cristãos.

Esse é o sonho que me move a permanecer e lutar pela igreja.

Antônio C. Costa

 


MEU RETORNO A JONATHAN EDWARDS

J-edwardsEm 2006, havia acabado de ter meu projeto de tese de doutorado aprovado na França e preparava-me para deixar o Brasil. Tinha como meta escrever sobre o conceito de beleza na teologia do insuperável teólogo americano Jonathan Edwards (1703-1758).
 
Em março do ano seguinte, mergulho no Rio underground. Conheço as entranhas do mundo da política, da favela, do jornalismo, da polícia, do crime. Como já disse em outras ocasiões, não dava mais para ser o que eu era. Fui testemunha daquilo que demanda resposta de todo cristão que conhece os ideais de justiça do cristianismo. Não saberia hoje dissociar meu labor pastoral da luta pelos direitos humanos. Conhecer a Deus implica em não tolerar a destruição do homem pelo homem. É muita dor, muita miséria, muita exclusão social, que atinge a milhões, inclusive, irmãos na fé que vivem em estado de privação, exclusão e vulnerabilidade.
 
Nos últimos dias, voltei a ler Jonathan Edwards. Reli "Religious Affections". Neste momento, tenho em minhas mãos um dos livros que li em 2006, escrito pelo pastor americano John Piper, "God's passion for His Glory", no qual ele trata de uma das obras mais arrebatadoras de Edwards, "The end for which God created the word". Sinto-me tomado por um misto de encanto, anelo por santidade e desejo de amar mais o meu Criador.
 
Senti hoje saudade daquele tempo. Lamentei, em razão dos novos desafios intelectuais e demandas ministeriais, ter me dedicado menos à espécie de conhecimento que atende ao meu anelo por contemplar a beleza de Deus e nela me deliciar. Decidi retomar o estudo da boa teologia calvinista, priorizando "The works of Jonathan Edwards", da Yale University Press, que publicou as obras completas desse gênio da América Colonial.
 
Que adianta cumprir a missão que Deus entregou ao seu povo e perder a alma? Deixar o chamado de Cristo levar-nos a manter contato com a vida fora do templo, onde balas perdidas explodem cabeça de criança e o pobre clama sem ser ouvido, demanda manter o coração sempre alimentado pela boa teologia associada à vida de muita oração; se é que não queremos fazer a obra de Deus, mas gradativamente, sem que o percebamos, nos afastando do próprio Deus.
 
Antônio C. Costa 

FICA CONOSCO, SENHOR

19149339_1922803521267132_2161448193386478046_n"Vindo, pois, os samaritanos ter com Jesus, pediam-lhe que permanecesse com eles; e ficou ali dois dias" (Jo 4: 40)

O Senhor Jesus ouviu esse pedido dos samaritanos quando estes souberam que Ele fizera menção de sair de Samaria e se dirigir para a região da Galiléia.

Os samaritanos agiram com sabedoria, prudência e discernimento. Naqueles dias, experimentavam súbita e surpreendente presença de Cristo em sua terra. Quiseram extrair o máximo daquela doce companhia.

Havia dúvidas a serem dirimidas, verdades a serem assimiladas, consolação a ser recebida e uma santa presença a ser contemplada.

O Senhor Jesus atendeu ao pedido dos samaritanos. Passou dois inesquecíveis dias com eles. Jamais um ser humano buscou se aproximar de Cristo sem ter seu pedido atendido pelo Salvador: "Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração", declarou o profeta Jeremias.

Você tem tomado conhecimento da realidade de Cristo. Em não poucas ocasiões, Ele se fez presente na sua vida, bateu à porta do seu coração convidando-o para o convívio íntimo. Você tirou proveito de tamanha manifestação da bondade divina?

A vida é dura, curta e incerta. O tempo é bem excessivamente precioso e escasso. O desejo que hoje temos de nos aproximarmos de Cristo pode esmorecer amanhã. Não despreze o que Ele está lhe oferecendo. Mais do que ouro e prata, Ele mesmo.

O que fazer? Fale para Ele não ir para a Galiléia. Peça para ficar contigo. Abra a porta do seu quarto, feche-a e leia as Escrituras em espírito de oração. Quando um versículo pular da Bíblia, pare tudo e ore em cima do que o Espírito Santo ensinou. Logo após, retome a leitura.

Muitos servos de Deus do passado falam que foi assim que viram o aposento onde estavam se encher da glória de Cristo e Deus os batizar com o Espírito Santo.

Antônio C. Costa


FUNDAMENTO DA MINHA ESPERANÇA

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1. O mundo tem um Criador perfeito em suas qualidades e pessoal, para quem, portanto, podemos fazer poesia, ao qual podemos adorar e em cuja presença apresentar nossos temores.

2. As palavras "destino", "acaso", "sorte", são terminologia pagã. Creio na providência. Mão invisível que em amor, sabedoria e justiça governa o universo para a glória do Criador.

3. Aproxima-se a chegada do dia no qual toda lágrima será enxugada, o luto passará, a injustiça será banida, a morte será vencida pela vida e o Criador será visto como absolutamente amável pelos redimidos.

4. Como disse Davi, ao falar sobre o povo de Deus, no Salmo 23: "Certamente, bondade e misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre".

5. Cristo é a alegria dos homens, fonte eterna de esperança, segurança e paz.

6. As portas do inferno não prevalecerão contra a igreja.

7. O amor gracioso de Deus, revelado no evangelho, livra o coração do que crê dos terrores da morte, do inferno, da consciência, da religião, do pecado, do juízo, da lei, da razão.

8. "Mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo o nosso homem interior se renova de dia em dia". Sendo assim, como também declara o grande apóstolo Paulo: "Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus".

9. Todos os cabelos da cabeça dos que amam a Deus estão contados, nenhum deles cairá sem o consentimento do Pai, em razão do amor meticuloso do Criador.

10. Um dia haveremos de ouvir o Deus -que nos viu pelo mundo anunciando o evangelho, lutando pela justiça, defendendo o direito do órfão e da viúva, cuidando dos de nossa própria casa, encarnando a vida de Cristo-, dizer: "Vinde benditos do meu Pai para o reino que vos tenho preparado. Foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei, entra no gozo do seu Senhor".

Sou otimista. Minha esperança tem fundamento. O Deus que não pode mentir e que selou com o sangue do seu Único Filho cada uma das suas promessas.


TATUAGEM DIVINA

19029246_1921538114727006_3785788126999244309_nSe para cada pecado cometido por nós fosse tatuado em nosso corpo o nome da iniquidade praticada seríamos tinta da cabeça aos pés. ‬

Há no Evangelho mensagem para aqueles que se sentiram tatuados pela vida, vivendo em vergonha e culpa perante si mesmos e os homens. O que a Palavra de Deus nos ensina?

O Evangelho nos ensina que o Pai enviou o seu único Filho para apagar a nossa culpa, derramou o Espírito Santo para tatuar o amor divino no nosso coração e levantou sua igreja para anunciar ao mundo um perdão que, ao ser recebido pela fé somente, silencia o inferno, a consciência, a religião, a morte, a razão e a lei.

A mensagem do Evangelho nos apresenta um Cristo que se deixou tatuar, tomando sobre si as nossas iniquidades, levando-as uma a uma à cruz, a fim de que seu sangue derramado servisse de solvente da culpa que foi tatuada em nós.

Quem anda com Cristo é livre. Livre até mesmo para não tatuar na própria memória a lembrança culposa das vergonhas passadas.


IGREJA DO BOPE

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No último dia 20 de maio, tive a honra de pregar na sede do BOPE. Estavam presentes os soldados da tropa de elite da Polícia Militar, parentes de policiais, a banda de música da PM, que, por sinal, tocou belos hinos cristãos; e o comandante da tropa, Cel. Sarmento.

O motivo do culto foi a inauguração do templo evangélico, que ajudamos a construir dentro da sede da corporação a pedido dos policiais cristãos. Meu texto foi sobre o diálogo do Senhor Jesus com Nicodemos, com ênfase na doutrina da regeneração.

Fica aqui o registro da minha gratidão. Esses policiais revelaram grande ausência de preconceito ao convidarem um militante de direitos humanos para ser o preletor numa data tão solene. Senti-me muito honrado.

Como se não bastasse isso, eles ainda me pediram para dar início a um curso de teologia no novo templo. Em breve, começaremos as aulas.

Direitos humanos não têm lado. É isso que temos procurado semear como valor inegociável. Todos conhecem nosso compromisso com a causa do pobre e a consequente luta para que o morador de favela tenha seus direitos respeitados. Não vemos incompatibilidade, contudo, entre esse tipo de manifestação pública e as mais de 10 ocasiões nas quais fomos às ruas protestar contra a morte de policial e lutar pelos seus direitos.

Lutamos pela vida e pela paz. Odiamos ver gente ter a vida interrompida pelo crime e ansiamos por fazer pontes entre os seres humanos.

Repito, a real defesa dos direitos humanos pressupõe a não exclusão de nenhum humano.

 

Antônio C. Costa


Foto: Yago Gonçalves


CORAGEM E CIDADANIA

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O Brasil vive um banho de sangue. Nordeste tornou-se espécie de Síria latino-americana. Violações de direito praticadas em todo território nacional.

Fortuna arrecadada com dinheiro dos impostos mal investida e distribuída. Miséria, desemprego, falta de oportunidade de vida.

Corrupção em todas as esfera de governo. Tornamo-nos motivo de piada no mundo. Gravíssima crise de representação política.

Num contexto como esse, por que tão poucos brasileiros, em razão do seu compromisso com a justiça, precisando de coragem para viver?

A coragem é a virtude que mantém todas as demais de pé no momento da mais alta prova. Sem ela, como lembra C.S. Lewis, somos justos, leais e honestos apenas sob certas circunstâncias. A classe política brasileira e nós cidadãos temos motivos para corarmos de vergonha. Muitas nações não tolerariam o que toleramos.

Não sairemos dessa crise sem brasileiros destemidos, movidos à compaixão e indignação.

Antonio Carlos Costa
Foto: Manifestação do Rio de Paz/SP, em São Paulo.


CASSAÇÃO DO MANDATO DE TEMER FARÁ BEM AO BRASIL

Sem Título

O que a cassação da chapa Dilma/Temer representa?

1. É justa. Crime eleitoral evidente.

2. Retira do mais alto posto da República um homem que perdeu a legitimidade para governar.

3. É uma forma de honrar os trabalhos da Lava-Jato, marco na história de um país que finalmente aprendeu a punir os detentores dos poderes político e econômico.


SOLUÇÃO MAIS JUSTA PARA A CRISE POLÍTICA

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Quem me acompanha pelas redes sociais sabe o que sempre defendi como solução para a crise política.

1. Renúncia da presidente Dilma.

2. Cassação da chapa Dilma/Temer.

3. Renúncia de Temer.

Se não tivéssemos uma justiça tão morosa, todo esse impasse político -que faz o país amargar grave crise econômica, para desespero de 14 milhões de desempregados-, há muito já teria sido resolvido, e ninguém estaria falando em golpe, pois o crime eleitoral praticado é o que de mais evidente e hediondo emergiu do impressionante volume de delações premiadas.


REPORTAGEM SOBRE A MANIFESTAÇÃO PELOS 15 ANOS DA MORTE DO JORNALISTA TIM LOPES

Democracia não subsiste sem cidadãos bem informados. Cada jornalista - atuando na rua e na redação, coletando dados e tornando-os inteligíveis, testemunhando fatos e analisando-os à luz do seu contexto mais amplo, mostrando, por assim dizer, tanto a árvore quanto a floresta-, é um fornecedor de matéria-prima para a mobilização popular, um desconstrutor de inverdades que os detentores dos poderes político e econômico disseminam e uma sentinela dos valores republicanos.

A morte do jornalista Tim Lopes serve de lembrança dos custos envolvidos no exercício de profissão tão extenuante e arriscada, que nos permite ver, sentir, sonhar, lutar; capaz de projetar luz sobre o que permanece na escuridão, e que, por isso mesmo, desperta o ódio de quem precisa da obscuridade para poder agir contra os interesses da sociedade. É difícil, portanto, superestimar o valor da atividade jornalística. Por isso, o poder público deve zelar pela segurança dos jornalistas brasileiros e os donos dos meios de comunicação oferecerem sempre a eles condições dignas de trabalho.