OUSADIA DA SALVAÇÃO
SUJEI AS MÃOS

VOLTA, POVO!

20jun2013-milhares-de-pessoas-seguem-em-protesto-no-centro-do-recife-pe-nesta-quinta-feira-segundo-a-secretaria-de-defesa-social-a-manifestacao-reune-100-mil-pessoas-dez-foram-detidas
É justo e bom para a nossa democracia dizer, "fora, Temer"? Ainda não consegui. Fica na ponta da língua. Mas, não sai. Por que? 

Prefiro que nossas instituições atuem. Numa democracia verdadeira a democracia é fim e meio. Qualquer regime democrático para sobreviver precisa de respeito ao Estado de direito. 

O que foi pactuado democraticamente por todos através dos seus representantes não pode ser posto de lado. Esse apego à lei cria previsibilidade. Reconheço que o processo é lento, mas os ganhos são mais seguros, duradouros e não geram incertezas políticas.

O que não pode acontecer, entretanto, é em nome de um pragmatismo político, que supostamente introduz um governo menos ruim a fim de preservar a nação de um mau governo, agirmos com dois pesos e duas medidas. É rematada incoerência ter lutado pela saída da presidente Dilma e não cobrar do Poder Judiciário a cassação do mandato do atual presidente. Exceto, se a Lava-Jato só serviu para tirar o PT do poder. 

Michel Temer sempre apoiou Dilma. Há declarações dele, de 2014!, expressando compromisso total com a ex-presidente. Corre no TSE ação, encaminhada pelo PSDB, partido que hoje apoia Temer!, pedindo a cassação da chapa Dilma/Temer pela prática de crime eleitoral. O marqueteiro João Santana, que dirigiu a campanha de ambos, declarou ter recebido como forma de pagamento dinheiro de caixa dois. 

Empreiteiros corruptos, pegos pelo mais amplo combate à corrupção da história do nosso país, declaram nas suas delações premiadas ter bancado a campanha da chapa Dilma/Temer. Estamos diante de um escândalo! 

Por que tantos estão mudos? Como não percebem que isso corrói a nossa democracia? Pura expressão do "jeitinho brasileiro", que na verdade se revela, nesse episódio, como um modo de fazer política próprio de republiqueta latino-americana. Vemos o poder econômico, unido ao poder político, com a propaganda de certos setores dos meios de comunicação e anuência da sociedade, acolherem como presidente alguém que jamais falou publicamente sobre o que somente passou a falar após perceber que o mandato da ex-presidente estava por um fio. 

Hoje, temos instabilidade nas ruas. Milhões de brasileiros indignados. Muitos dos que ansiaram pela saída da presidente Dilma, que jamais diriam, "volta, Dilma"; não entendem como Michel Temer pode passar incólume por essa história. 

Cresce o número de desempregados no país. É trágico saber que 12 milhões de brasileiros encontram-se sem trabalho. Quem tem dinheiro para investir desconfia do futuro do atual governo. Insegurança política que produz decadência econômica, para desgraça de milhões de famílias. 

O país precisa de um novo "Junho de 2013". Um movimento de rua pacífico, determinado, suprapartidário; que reivindique da classe governante competência e compromisso com a implementação do ideal de sociedade prescrito pela Constituição Federal. 

"Volta, povo".

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