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setembro 2016

PREGAÇÃO E TRANSPARÊNCIA INTELECTUAL

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Começo no próximo domingo uma nova série de exposições bíblicas na Igreja Presbiteriana da Barra, no Rio. Dessa vez, farei análise, verso por verso, sobre o Evangelho de João.

Isso significa que o púlpito da igreja continuará sendo pautado pelas Escrituras. Serei, consequentemente, forçado a pregar sobre os mais diferentes temas, tanto os que são palatáveis para o homem moderno, quanto aqueles que podem ser vistos como culturalmente ofensivos. 

Acredito que esse método favorece a transparência teológica e intelectual. O pregador, ao usá-lo, não tem como ocultar o que pensa por meio da seleção arbitrária de passagens sobre as quais lhe é conveniente pregar, uma vez que o eximem de assumir ponto de vista público sobre temas controversos.

O protestantismo brasileiro precisa de reforma urgente do púlpito. Quisera que, no domingo que vem, pessoas saíssem das igrejas do nosso país sabendo o significado do texto bíblico escolhido pelo pregador, bem como de posse das implicações práticas para a sua vida.

Antônio Carlos Costa


BERÇO EVANGÉLICO

Alone-16Ao se tornar membro de uma igreja evangélica no nosso país, o brasileiro passa a conviver em que ambiente cultural?
 
1. Lei e ordem.
O Estado existe para garantir a paz social através do uso do poder da espada. A criminalidade é fruto de leis frouxas, da não aplicação das sanções penais e de toda tentativa de amarrar o braço da polícia.
 
2. Estado mínimo.
O Estado não pode assumir o papel de babá dos seus cidadãos. Quem cuida do necessitado é a sociedade. Essa generosidade com dinheiro público quebra o Estado. Estimula a vagabundagem. Políticos inescrupulosos podem usá-la para se perpetuarem no poder.
 
3. Família valor supremo.
Temos de preservar a família. O conceito clássico e cristão está sendo desafiado pelo relativismo moral.
 
4. Não há esperança para este mundo.
Este mundo está condenado pela Bíblia. Não estamos aqui para melhorar o inferno. O Titanic está afundando. Preguemos para que as pessoas sejam salvas. Aguardemos o fim.
 
5. O homem é responsável por suas ações.
A culpa é pessoal e intransferível.
Mata quem quer. Pratica o crime quem quer. A saída, portanto, é prender, prender e prender.
 
Poderia falar muito mais sobre a cultura predominante hoje no meio evangélico do nosso país. Vale a pena ressaltar, que há variações, temos pessoas que pensam de modo diferente e muitos que não pensam em nada; esperam apenas receber força no domingo para enfrentar a segunda-feira.
 
O que me preocupa? Uma questão básica: como vive nessa cultura religiosa quem ama a Cristo, mas tem perguntas a fazer ao sistema? Veja algumas que podem ser feitas ao pastor da igreja:
 
1. Reverendo, quem pensa diferente sobre o papel do Estado na sociedade deve ser considerado anti-bíblico? Crente tem de acreditar no Estado mínimo? Toda a teologia do Estado está contida em Romanos 13?
 
2. Reverendo, por que o governo Holandês está fechando prisão? A meta do homem é matar ou ser feliz? Qual a razão de crianças suíças não praticarem, com faca na mão, roubo de bicicleta nas ruas? É por causa da severidade das leis? Reverendo, é só lei e ordem? Concordo com o senhor sobre o monopólio do uso da força por parte do Estado. Mas, por que vocês falam mais sobre lei e ordem do que sobre justiça social?
 
3. É bom para a sociedade o policial agir ao arrepio da lei? Qual polícia, por maior que seja seu poder de fogo e liberdade para matar, dá conta de criminalidade endêmica, histórica, disseminada, nesse cenário de desigualdade social e pobreza em que vivemos? Reverendo, o senhor não acha que tem muito policial morrendo, deixando família desamparada, por força de uma política de segurança que nunca deu certo? No Rio de Janeiro, reverendo, a polícia matou, desde 2007, quase 8.000 pessoas. Mas, nada mudou. Mais um ponto. O senhor me perdoe a petulância. Por que a nossa igreja não protesta quando policial é morto?
 
4. Reverendo, é bom para a sociedade torturar o detento? Manter presídios superlotados? Prescrever pena de detenção para ladrão de galinha? Reverendo, se o seu filho, numa noite qualquer, após beber umas cervejas, cometesse um delito, que não representasse grave ameaça à ordem pública, e fosse parar em Bangu, o senhor aprovaria? Por que no caso do jovem negro e pobre permitimos que penas desproporcionais aos crimes praticados sejam aplicadas? O senhor acredita em pena alternativa?
 
5. Reverendo, concordo com seu discurso sobre a economia de mercado. Ouvi o senhor dizer que, se não promovermos a riqueza, seremos forçados a socializar a pobreza. Mas, qual igreja dá conta do sertão do nordeste, reverendo? O senhor diz que essa é a tarefa da sociedade. Mas, reverendo, quantas pessoas o senhor conhece que estão envolvidas com os pobres e têm tempo para isso? Qual igreja, reverendo, dá conta das favelas brasileiras? Reverendo, ao não cobrar do Estado a implementação de políticas públicas nas comunidades pobres o senhor não estaria se insurgindo contra a autoridade constituída por Deus? Reverendo, a Constituição Federal brasileira obriga o Estado a prover educação, segurança, saúde, moradia, saneamento, aos seus cidadãos. Admito que o senhor possa não gostar da Constituição Federal; mas, reverendo, ficaria triste com o senhor se chamasse de marxista que está apenas querendo ver a lei ser cumprida.
 
6. Reverendo, vejo o senhor falar muito sobre família. É muito claro que a família é ideia de Deus. Recuso-me a considerá-la valor burguês. Mas, o senhor não acha que o modelo econômico que o senhor apoia, através dos seus livros e pregações, está matando a família? Vejo meu pobre pai, envelhecido, sendo explorado no trabalho, trabalhando seis dias por semana, dez horas por dia, para ganhar quase nada e sem tempo para o que mais ama na vida.
 
7. Vejo o senhor combatendo a imoralidade. Perdoa-me, reverendo, mas o senhor não acha que está pregando mais moralidade do que evangelho? Vejo o senhor esperando que não cristãos se comportem como cristãos. O senhor não acha que o que a humanidade mais necessita não é de moralidade, mas de poder para fazer o que sabe que deve fazer e não consegue? Esse poder não é o evangelho, mais poderoso do que qualquer coisa desta vida?
 
8. Reverendo, entendo que há no homem uma natureza de bode. Acho, até mesmo, que, sob um aspecto, Hobbes foi bíblico ao dizer que "o homem é o lobo do homem". Vejo, contudo, que vivemos num mundo melhor. Temos democracia, os direitos da mulher são mais respeitados e a escravidão virou crime. Tudo isso, reverendo, fruto de luta política, nas ruas e no parlamento. O senhor me perdoe, mas seu pessimismo é injustificável. Há vida a ser vivida pelo cristão fora do templo. Eu quero estar com Cristo onde a luta se travar, reverendo. Perdão pelo hino pentecostal...
 
9. Reverendo, eu vejo nas Escrituras culpas coletivas. Sociedades inteiras que foram repreendidas pelos profetas pelos seus pecados transformados em cultura. O senhor não acha que sua pregação põe muita ênfase na responsabilidade pessoal e pouca no papel corruptor do sistema? O senhor acredita no conceito de responsabilidade diminuída? A quem muito foi dado muito não lhe será cobrado? Se as pessoas viverem com mais dignidade não se comportarão de modo mais decente? Veja, reverendo, que muitos dos delitos que europeus cometeram -para sobreviver- durante a ocupação nazista e o totalitarismo marxista-stalinista não são mais praticados.
 
10. Reverendo, eu creio na inspiração da Escrituras, sou grato pelas suas pregações terem me conduzido a Cristo e o tenho como verdadeiro irmão na fé, mas há espaço para uma pessoa como eu na sua igreja?
 
Fico a perguntar, qual mão embala esse berço e onde ele foi feito?
 
 
Antônio Carlos Costa

FUI TOLO

1810149728_ca95f6fa0eO primeiro artigo foi atribuído à pressão que estaria sofrendo por parte de presbiterianos conservadores. O segundo, à reação da turma da missão integral. O terceiro, ao desejo de ficar bem com todo mundo.

Pensemos assim:

1. Não julgueis para que não sejais julgados é tolice de gente ingênua. 

2. As tentações sobre as quais falei são sentidas apenas por uns poucos.

3. Não há entre os simpatizantes da missão integral vestígio dos pecados que mencionei. 

4. A agenda da direita evangélica é absolutamente bíblica.

5. No protestantismo brasileiro não há pessoas mais de direita ou esquerda do que cristãs. 

6. A igreja está na vanguarda das transformações político-sociais do Brasil.

7. Estamos atravessando um avivamento. 

8. Não há no meio evangélico brasileiro receio de perder espaço e investimento por falar o que pensa. 

9. Não existe problema de interpretação de texto entre os evangélicos brasileiros.

10. Não há adeptos da missão integral prejudicando a causa com o seu comportamento, preferências ideológicas e discurso que não se coaduna com a prática.

11. Há homogeneidade entre os adeptos da missão integral. 

12. Não existe cooptação conservadora de direita no meio evangélico. O único mal é a ameaça marxista.

13. O pensamento da esquerda não representa nenhuma ameaça à fé cristã. 

14. A teologia feita no Norte das Américas é culturalmente neutra e de total aplicação no Sul das Américas.

15. Existe gente no país fazendo teologia que, devido à exatidão e amplitude, exige a submissão intelectual completa de todos os homens cultos. 

16. A presença de 45 milhões de evangélicos no país tem sido decisiva para a implementação de políticas públicas nas áreas carentes. 

17. Andar somente com os que pensam o que eu penso é ótimo para o meu aperfeiçoamento intelectual, uma vez que faço parte de um segmento da igreja que detém o monopólio da verdade, e que, portanto, não tem nada a aprender com aqueles de quem discorda. 

18. Não há possibilidade de não cristãos se escandalizarem com a forma como os evangélicos lidam uns com os outros nas redes sociais.

19. Não existe inveja profissional entre os pastores evangélicos brasileiros. Nossas divisões são todas de natureza exclusivamente teológica. 

20. Somos hoje referência de retidão para a nação e luz para os povos. 

 

Antônio Carlos Costa

Ps1. Quem escreveu este artigo não tem do que se arrepender na vida, sabe tudo e não se sente orgulhoso por fazer confissão tão humilde.

Ps2. Não há evangélicos fazendo o bem, tudo é uma desgraça e Deus não tem um povo no Brasil.


SOMOS TODOS DA MISSÃO INTEGRAL

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1. Cremos que a evangelização é a missão principal da igreja.

2. Cremos que ao convertido deve ser ensinado que guarde tudo aquilo que Cristo ensinou.

3. Cremos que a igreja deve dar prova sociológica da realidade do evangelho através da beleza da comunhão cristã em amor.

4. Cremos que a plenitude de uma sociedade justa, fraterna e igualitária só será alcançada quando o reino de Deus for instaurado na segunda vinda do nosso Salvador.

5. Cremos que o amor é aquele princípio de vida -implantado pelo Espírito Santo no coração do convertido- que o leva a viabilizar a existência de todo aquele que a providência divina faz cruzar o seu caminho.

6. Cremos que a igreja não deve se deixar cooptar por nenhum partido político.

7. Cremos que a democracia e o Estado de direito são valores inegociáveis. 

8. Cremos que todo ser humano deve ser objeto da compaixão da igreja, em especial, os doentes, os pobres, os enlutados, os angustiados.

9. Cremos que é amor atuar politicamente quando essa é única forma de trazer dignidade de vida ao que sofre.

10. Cremos que Martin Luther King e William Wiberforce fizeram bem ao lutar nas ruas e no parlamento pelos direitos humanos.

11. Cremos que Cristo reina soberano sobre as ciências sociais, que devem ser usadas pela igreja para ampliar sua compreensão sociológica. 

12. Cremos que a igreja deve fomentar a busca de solução pacífica para os conflitos entre os homens.

13. Cremos que a filantropia sempre será indispensável. 

14. Cremos que sem oração a igreja murcha.

15. Cremos que o avivamento sempre será a maior necessidade da igreja.

16. Cremos que teologia da missão integral sem amor é morta. 

17. Cremos que as Escrituras são a nossa única regra de fé e prática.

18. Cremos que através da igreja podemos tornar o mundo mais justo e fraterno.

19. Cremos que a queda exige que o Estado use do poder da espada para deter a maldade humana, mas que a criação do homem à imagem e semelhança de Deus exige que o Estado respeite os direitos humanos.

20. Cremos que, seja qual for o nome que venhamos a dar para essa teologia da missão da igreja no mundo, a nós nos cabe fazer o que estiver ao nosso alcance para que o maior número possível de homens tenha aquilo que lhes permita expressar na sociedade seu potencial de seres que carregam as insígnias do seu Criador.

 

Antônio Carlos Costa


TENTAÇÕES DOS ADVERSÁRIOS DA MISSÃO INTEGRAL

1. Ignorar o chamado à justiça social.

Obsessão com o estado de injustiça do ser humano em detrimento da preocupação com o estado de injustiça da sociedade. Procurar encher o céu que Deus criou para o homem, mas ignorar o inferno que o homem criou para si mesmo. Falar em edificar o reino de Cristo, enquanto os membros da igreja vivem em cidades tornadas em reino do Diabo. Preferir contratar segurança particular para impedir que carros sejam roubados durante o culto a pressionar o poder público a fim de que implemente políticas públicas que diminuirão a criminalidade.

2. Perder de vista o fato de que o pobre deve ser objeto principal da misericórdia da igreja.

Evangelização que não leva o convertido a se compadecer dos seres humanos que mais sofrem e que no seu sofrimento nada podem fazer para se livrarem dos seus infortúnios, significará, sempre, transformar a igreja em escola de boas maneiras, congregação de andróides, lugar que o jovem rico procurará após ter sido despedido por Cristo.

É miopia histórica profunda e grave falta de conhecimento das Escrituras não compreender que a pobreza é, na maioria das vezes, fruto da injustiça social. Igreja que não se compadece do necessitado está servindo a Satanás travestido de Cristo.

3. Relativizar a dimensão pública da ética cristã.

Não compreender que tolerar o regime da escravidão é tão hediondo quanto maltratar o escravo. Dar-se por satisfeito por dar o dízimo, não ter amante, levar Júnior ao judô, ser abstêmio; mas, apoiar o Nazismo, ser a favor do Aparthaid, tolerar a supressão dos direitos civis dos negros, ficar mudo quando o Estado permite que seus policiais morram em missões inúteis e não gritar "não matarás!" em ocasiões nas quais a polícia pratica a rodo execuções extrajudiciais. Por que a turma da "lei e ordem" não protestou quando policiais paulistas mataram 19 moradores de periferia, no ano passado, em Osasco?

4. Ser refratário às críticas que a esquerda faz ao nosso modelo de sociedade.

Fugir de Marx para ser abraçado por Hayek. Denunciar quem apoia Hugo Chaves, mas ficar mudo quando James Dobson e Wayne Grudem apoiam Donald Trump.

Esquecer-se do fato que Karl Marx começa a criticar o modelo capitalista, num contexto no qual mulheres e crianças trabalhavam 17 horas por dia nas fábricas da Inglaterra protestante.

Não definir quanto do marxismo uma pessoa precisa crer para ser considerada marxista. Fugir do modelo bolivariano para abraçar o modelo neoliberal.

Como negar que jamais uma nação foi edificada sem a exploração da mão de obra do trabalhador? Como pastores podem aceitar acriticamente modelo político-econômico que destrói a família, faz pessoas envelhecerem antes do tempo, saqueia a alma? Relação trabalhista análoga a que encontramos nos dias de Moisés: "Eles estão falando sobre libertação porque têm tempo para pensar. Aumentem o trabalho deles! Exijam que produzam mais! Que eles não respirem!" Mente extenuada é também oficina do Diabo.

Como negar o fato de que pastores, teólogos, jornalistas, escritores, podem estar trabalhando para os detentores do poder econômico, justificando a exploração? Exercendo tamanha influencia sobre a cultura a ponto de tornar os prisioneiros preocupados em manter intactas as paredes do cárcere a fim de não escaparem da prisão. A igreja pode transformar sua mensagem em narcótico do povo.

Tenho pena do pregador que é a favor da manutenção do sistema de exploração por depender das ofertas de quem ameaça sair da igreja caso ele condene do púlpito o regime de escravidão velada, comandado pelo rico. Não há a mínima dúvida de que denominações inteiras e mantenedores do estrangeiro podem exercer a mesma pressão sobre blogueiros, professores de seminário, escritores, palestrantes, pastores. Que covardia.

5. Pregar com soberba e amargura.

Viver a insultar quem pensa de modo diferente, julgar que quem não vê a vida em termos de - economia de mercado irrestrita, não regulada, não democrática, não preocupada com o meio ambiente, não desejosa de tirar o destino do país das mãos de governantes eleitos pelo povo para o colocar nas mãos dos donos das grandes corporações cujo objetivo é o lucro-, é ingênuo e colabora para o colapso da economia. Como se aumento da renda fosse tudo e chegar ao posto de sétima economia do mundo garantisse por si só a promoção da igualdade de oportunidade de vida para todos.

Combatem o Estado de bem-estar social, como se fosse possível o oceano de garotos pobres das favelas erguerem-se por conta própria sem a ajuda do poder público. Aí dirão: "Essa é a tarefa da sociedade, não do Estado!" Qual igreja dá conta do sertão do nordeste e das favelas do Rio e São Paulo? Quantas estão interessadas nesse tipo de coisa? A maioria?

Tornar o ambiente da igreja impossível para quem tem uma mentalidade mais europeia do que americana. Fechar as portas para jovens que têm formação em sociologia, antropologia, ciência política; muitos dos quais incapazes de se imaginarem vivendo em igrejas tão ingenuamente cooptadas por um conservadorismo de direita, que nenhuma ginástica exegética consegue encontrar na Bíblia.

Cuspirem no próprio prato, pois os benefícios civis, políticos e sociais de que gozam são frutos de lutas travadas por homens e mulheres que impediram que esse mundo se tornasse tão mau quanto poderia ser.

6. Pastorear igreja que não cresce ou cresce de modo adoecido e não se perturbar com isso.

Chegar à conclusão que a igreja não aumenta em número porque seu evangelho é puro, ignorando o fato de que a igreja deixou de batizar pessoas pelo em razão de o pregador anunciar mais lei do que graça, pensar que pregar a Bíblia é o mesmo que pregar o evangelho e não perceber que a igreja está mais versada na controvérsia supralapsariana do que no caminho que leva ao céu.

Anos de exposição bíblica -sem anunciar ao mesmo tempo o Cristo que nos protege da lei- é capaz de levar jovens a ficarem de cabelo branco, filhos de crentes sumirem da igreja e a membresia agasalhar um rancor secreto em relação a um Deus que não dá descanso à alma humana.

7. Jamais falar sobre política no culto.

Levar a igreja a acreditar que o interesse por política é e sempre será necessariamente mundano. Ignorar a responsabilidade -diante de Deus- de vivenciar o cristianismo numa democracia. Desperdiçar os recursos humanos e a liberdade política, deixando de exercer pressão pacífica e democrática nas ocasiões nas quais o poder público não se mantém sujeito à autoridade constituída por Deus num regime democrático, o povo, cuja vontade é expressa através das leis do país.

Em suma, é pregar sem ter a Bíblia numa das mãos e o jornal na outra. É o país estar ameaçado por grave conflito civil, o tecido social se corroendo, a democracia entrando em colapso, membros da igreja sofrendo pressões infernais no ambiente de trabalho, cristãos sem saberem se participam de uma greve geral; e o pregador não parar a série de mensagens sobre o pedobatismo.

8. Não ver pobre na Bíblia.

Ignorar que não foi Karl Marx, mas Calvino quem disse:

“Cresce a audácia aos ricos, porque aqueles a quem sobrepujam são destituídos de todo recurso. Contudo... quando do lado dos homens nenhuma defesa tenha o pobre, a vingança de Deus mais pronta e aparelhada lhe está”.

“Eis como fazem os ricos frequentemente, espreitam as ocasiões, a fim de reduzir à metade o ganho da pobre gente, quando não tem em que empregar-se”.

“Quando, pois, tem um homem alguns a seu serviço, deve ele considerar: se eu tivesse no lugar deles, como gostaria de ser tratado?”

“Ora, pois que assim é, quando os pobres que tenhais empregado em obra vossa, e que tenham posto seu labor, seu suor e seu sangue a vosso serviço, não tenham sido assalariados como convém, e não os tenhais confortado e sustentado, se a Deus vingança pedem contra vós, quem vos será procurador, ou advogado, que vos possa livrar?”.

“Ofício próprio de Deus é tomar a causa dos pobres”.

“Nosso Deus... se constitui devedor em lugar do pobre para retribuir-nos de uma vez com amplos juros tudo quanto lhe damos”.

Ter como referência pregadores europeus e americanos do passado, e não o próprio Cristo, que é visto nas ruas curando, libertando e anunciando o evangelho aos pobres.

9. Ser apartidário.

Trocar a ação suprapartidária pela criminalização da política. Esquecer-se que quem não gosta de política é governado por quem gosta. Ser seletivo nas denúncias que faz contra os partidos políticos. Não estimular com fervor os jovens da igreja a se candidatarem, da mesma forma que o faz quando cobra que se envolvam com a manutenção do funcionamento da máquina eclesiástica.

10. Ser bom em teologia sistemática, mas não ser profeta.

Conhecer o sistema teológico. Ter memória enciclopédica. Mas, mostrar-se incapaz de relacionar a doutrina às realidades concretas da vida das pessoas. Levar ao inferno os jovens da igreja por causa de sexo, mas não dizer ao rico que se ele continuar tão rico quanto era antes de se tornar membro da igreja, estará dando evidência de que jamais nasceu de novo.

Para ser sincero, vejo esses males, aos quais todo e qualquer membro de igreja evangélica no país está exposto, mais presentes e disseminados no protestantismo brasileiro do que os que mencionei no último artigo, no qual falei sobre as tentações da missão integral.

Em suma, você e eu temos muito do que nos arrepender. A igreja precisa de reforma e avivamento. Retorno às Escrituras e à verdadeira vida cristã, que somente dedica lealdade incondicional a Cristo.

 

Antônio Carlos Costa


TENTAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL

1. Ignorar o chamado à evangelização do mundo
Obsessão com a injustiça social em detrimento da preocupação com a injustiça pessoal. A primeira, inviabiliza a relação do homem com o seu semelhante. A segunda, inviabiliza a relação do homem com o seu Criador. 

2. Perder de vista o fato de que o pobre é pecador.
A pobreza não é virtude. Não torna o ser humano imune ao pecado. Responsabilidade diminuída não é o mesmo que responsabilidade eliminada.

3. Relativizar o aspecto privado da ética cristã.
Vivi muito essa tentação. Você chega de uma favela na qual dez foram executados. Descobre na cidade esquema de corrupção que sangra os cofres públicos e impede verba pública de chegar às áreas carentes. Percebe o lado hediondo do sistema econômico. Toma conhecimento das relações de poder. A vontade é de circunscrever o pecado a apenas esse tipo de maldade monumental. 

4. Tornar-se marxista.
O marxismo é uma religião secular profundamente atraente para o militante da missão integral. Por falar muito em injustiça social, pode levar o cristão sincero a não perceber que o que prescreve como solução aos males do capitalismo não é tão bom quanto à crítica que faz às injustiças do capitalismo. Nunca devemos nos esquecer do fato que o marxismo vê Cristo, moral cristã, céu, Bíblia, igreja, culto, como frutos de relações econômicas sem nenhum fundamento na realidade dos fatos. Jogo de poder puro. Os detentores do poder usando a religião para justificar a opressão do trabalhador. Marx se enganou. Weber o corrigiu. A pregação do evangelho acompanhada de ensino sólido, que mostre as implicações político-sociais do cristianismo, pode liberar energia capaz de levar cristãos verdadeiros a lutarem tanto contra totalitarismo de direita, quanto contra totalitarismo de esquerda. E isso a partir da mais alta motivação possível: a glória de Deus. 

5. Pregar de modo soberbo e amargo.
Viver a insultar quem pensa de modo diferente, julgar que quem não vê a vida em termos de luta de classe trabalha para o sistema de exploração do pobre, desmerecer o trabalho de crentes fiéis que ainda não entenderam os pressupostos teológicos da missão integral. Cuspirem no próprio prato, pois muitos foram levados a Cristo por pregadores que nada sabiam sobre missão integral.

6. Pastorear igreja que não cresce e não se perturbar com isso.
Chegar à conclusão que a igreja não aumenta em número porque sua mensagem representa verdadeiro golpe nas ambições da burguesia, quando na verdade a igreja deixou de batizar pessoas pelo fato de o pregador não anunciar mais o evangelho, deixando de conclamar a igreja a levar as boas novas aos que não sabem para aonde vão depois da morte.

7. Usar o púlpito para falar desmedidamente sobre política.
Tornar-se monotemático. Mandar no culto de domingo mensagem para a classe governante. Falar sobre o que pouco conhece. Deixar de pregar expositivamente. Permitir que a pregação seja mais pautada pelo jornal do que pela Bíblia.

8. Acreditar que pelo fato de pregar sobre o pobre está servindo ao pobre.
Dar voz a quem não conhece. Falar sobre pobreza sem estar na favela. Pregar mensagem que nem o pobre entende. Deixar o pobre só, nas ocasiões em que ficar do lado dele representa risco de vida.

9. Envolver-se com política partidária.
Essa é uma coisa que o membro da igreja pode fazer. Mas, como fica a vida de um pregador que usa da sua influência para levar pessoas a aderirem ao seu partido político numa igreja na qual pessoas das mais diferentes linhas ideológicas congregam? Como evitar que seu compromisso com a justiça não seja contaminado pela sua preferência partidária?

10. Ser mais versado em ciência política do que em teologia sistemática
A igreja espera ter como pastor um pregador bom de Bíblia. Capaz de fazer leitura sobre as demais disciplinas do pensamento a partir do enquadramento intelectual da boa teologia sistemática, que tem a teologia bíblica como fundamento. Se a sua paixão é ciência política e não a exposição das Escrituras, largue o púlpito, pois nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

 

Antônio Carlos Costa


SOU ESQUERDOPATA?

 
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Não se pode falar sobre a causa do pobre no Brasil sem ser rotulado de esquerdopata.
 
A Constituição Federal obriga o poder público a prover -trabalho, moradia, lazer, saneamento, educação, saúde, segurança, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados-, para seus cidadãos. Quando o Estado age de modo diferente, numa democracia como a brasileira, insurge-se contra a autoridade constituída por Deus, o povo, cuja vontade está expressa na sua Carta Magna: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou indiretamente, no termos desta Constituição".
 
Em suma, tem muita gente em pecado no Brasil. O pior!, surgiu uma nova classe de profeta, o profeta do rico. Defensor dos donos do poder econômico! Movido pelo pensamento escatológico mais estupendo de toda a história da teologia: o mercado livre produzirá riqueza, e, por si mesmo, naturalmente, trará, por meio da sua mão invisível, a prosperidade para todos. A raposa cuidando do galinheiro.
 
Como que um sujeito que acorda diariamente de madrugada, passa quatro horas no trânsito, trabalha oito a doze horas e volta para casa para dar o bagaço do seu tempo para o que ama, não percebe que tal relação de trabalho foi forjada num grande encontro do Supremo Concílio do inferno?
 
Não estou propondo o controle absoluto do Estado sobre a economia, muito menos fomentando a luta de classes, nem condenando a chamada economia de mercado. O que condeno é o ser humano sem tempo para a literatura, a oração, o contato com a natureza, o amor e a dedicação a causas que lhe sejam justas.
 
Os caras criaram um sistema de pensamento que mantém os escravos presos e ao mesmo tempo lutando para preservarem as paredes da sua prisão a fim de não escaparem. Quem detém o poder econômico cria uma filosofia que justifica a concentração de capital e a exploração, e os explorados docilmente dizem, "seja feita a sua vontade".

VOZ AOS QUE NOS DÃO VOZ

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1. Fizemos hoje cedo no MASP ato contra as agressões sofridas por jornalistas nas manifestações em São Paulo (http://g1.globo.com/…/ato-contra-agressoes-jornalistas-em-p…). Repudiamos o que houve. 

O principal sinal de uma sociedade propensa ao totalitarismo político é a indiferença quanto ao uso da violência -por parte do próprio Estado- contra a imprensa. 

2. Nas manifestações de 2013, condenamos as agressões sofridas por policiais militares e a violência praticada pelos próprios manifestantes contra jornalistas. Fomos às ruas protestar contra a morte do cinegrafista da Band Santiago Andrade, que foi atingido por um rojão lançado por dois manifestantes (http://g1.globo.com/…/rio-de-paz-estende-faixa-em-praia-par…). 

3. Temos buscado lutar pelos direitos de todos. Policiais, manifestantes, jornalistas. Procuramos nos abster de paixões políticas e ideológicas. 

Confesso que não as tenho. Luto contra o ceticismo político diariamente. No Brasil, nada me encanta. Nada. Não me filiaria a nenhum partido político, embora julgue importante que o façam. Não vejo em nenhum deles visão de futuro. 

Só não caí de vez na completa incredulidade por saber que avanços históricos ocorrem e Deus ouve oração. Sob vários aspectos, vivemos num mundo melhor. Mas, como dizia George Orwell, lutamos contra a "vontade doentia e a ignorância invencível". 

4. Precisamos de mais gente disposta a lutar. Não posso, por exemplo, continuar ouvindo gente falar sobre os direitos dos policiais militares, o que nos leva a convocarmos pessoas a participar de manifestação por esses mesmos direitos, e perceber que não apareceram justamente os que mais fizeram cobrança. 

5. Parabéns aos voluntários de São Paulo, que hoje deram voz aos que são a razão do sucesso das nossas manifestações públicas, com a cobertura que fazem de todas elas há anos. No protesto contra a chacina de Osasco vocês já haviam dado prova da sua bravura.


DESTINO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA NAS MÃOS DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

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O Brasil precisa acordar para um fato. Há quatro ações no TSE pedindo a impugnação da chapa Dilma/Temer pela prática de crime eleitoral em 2014. O volume de acusação é assustador. O marqueteiro João Santana declarou ter usado dinheiro de caixa dois na campanha. Há mais réus confessos da Lava-Jato dizendo terem feito o mesmo. Houve até mesmo uso de verba pública para bancar a chapa!

Poucos estão falando sobre a gravidade das acusações. Caso Michel Temer seja cassado no ano que vem, o novo presidente será escolhido pelo Congresso Nacional por meio de eleição indireta.

Enquanto o TSE não se pronuncia, o país continua vivendo num clima de insegurança política, que aprofunda a crise econômica, num contexto de 12 milhões de desempregados!

O responsável pelo encaminhamento dessas ações, para julgamento no TSE, é o ministro Herman Benjamin, atual corregedor-geral da Justiça Eleitoral. 

Ouvimos de importante assessor de gabinete do TSE que o julgamento pode ficar para o ano que vem. É desalentador.

Não podemos ficar calados. Entendemos que os que gritaram, "Fora, Dilma!" ou que disseram, "É Golpe!", têm a obrigação moral de clamar, "Decide, TSE!" 

Ajude-nos. Divulgue essa campanha. Essa causa deveria nos unir. Algo maior do que nossas diferenças ideológicas e político-partidárias está em jogo: o compromisso com a justiça.


SUJEI AS MÃOS

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Evitar sujar as mãos com política, mantendo-se calado diante das decisões tomadas por aqueles que representam milhões de cidadãos, assumindo a postura de quem não se envolve com os negócios dessa vida, é tentador.

Você não vê portas se fecharem para o seu trabalho, fica bem com todos, não sofre acusação sem prova, não corre o risco de ser estigmatizado, e, na espreita, aguarda o desenrolar dos fatos para falar sobre aquilo acerca do que jamais emitiu parecer público antes de haver acontecido. 

Sinto, contudo, que tenho a responsabilidade, como homem público, de emitir ponto de vista sobre problemas políticos cujas soluções afetam a vida de milhões de seres humanos, muitos dos quais, vivendo em condição desumana. 

Minha posição é clara. Basta fazer qualquer pesquisa sobre artigos que escrevi e manifestações que organizei nos últimos anos: 

1. O governo PT causou estrago incalculável no nosso país. 

2. O PMDB é um câncer. Em suma, vivemos crise de representação política grave. 

3. Fechar com ideologias de esquerda ou de direita é incompatível com a fé cristã. Temos pessoas em pleno século 21 mantendo discussão do século 19.

4. O PT trouxe pão e moradia para milhões de necessitados. 

5. Tenho amigos maravilhosos no PT. 

6. A permanência de Temer na presidência é deletéria para a nossa democracia. Viu tudo, foi governo enquanto lhe foi conveniente, ganhou com Dilma eleições que a Lava-Jato considerou fraudulentas. Dinheiro público bancou a chapa. Empresários corruptos patrocinaram a campanha dos dois.

6. O TSE tem nas mãos a solução para a crise política. Cassar Temer e marcar eleição geral. Se é justamente isso o que o PT quer, paciência. Quero o justo. 

7. Conheço antipetistas de excelente caráter, bem como, ex-petistas que largaram o partido pelos motivos mais nobres. 

8. Não apoio publicamente partido ou candidato algum. 

9. Não recebo, jamais recebi e jamais receberei ajuda de partido político ou de político profissional. Se houvesse cheiro desse tipo de coisa na minha vida, lidando com segurança pública no Rio de Janeiro, talvez já estivesse literalmente morto. 

10. Não participei de nenhuma manifestação a favor do impeachment. Participei de todas em 2013. Espero ver o povo novamente nas ruas, lutando por ideal que poderia perfeitamente fazer parte da agenda política de qualquer brasileiro, independente da sua coloração ideológica. 

Que ideal é esse? Os direitos sociais de milhões de pobres, que são prescritos pela Constituição Federal, serem matéria de políticas públicas, no contexto de uma democrática e criativa economia de mercado que não maniete o Estado e não ponha a vida humana nas mãos do poder econômico.

 

Antônio C. Costa

 


VOLTA, POVO!

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É justo e bom para a nossa democracia dizer, "fora, Temer"? Ainda não consegui. Fica na ponta da língua. Mas, não sai. Por que? 

Prefiro que nossas instituições atuem. Numa democracia verdadeira a democracia é fim e meio. Qualquer regime democrático para sobreviver precisa de respeito ao Estado de direito. 

O que foi pactuado democraticamente por todos através dos seus representantes não pode ser posto de lado. Esse apego à lei cria previsibilidade. Reconheço que o processo é lento, mas os ganhos são mais seguros, duradouros e não geram incertezas políticas.

O que não pode acontecer, entretanto, é em nome de um pragmatismo político, que supostamente introduz um governo menos ruim a fim de preservar a nação de um mau governo, agirmos com dois pesos e duas medidas. É rematada incoerência ter lutado pela saída da presidente Dilma e não cobrar do Poder Judiciário a cassação do mandato do atual presidente. Exceto, se a Lava-Jato só serviu para tirar o PT do poder. 

Michel Temer sempre apoiou Dilma. Há declarações dele, de 2014!, expressando compromisso total com a ex-presidente. Corre no TSE ação, encaminhada pelo PSDB, partido que hoje apoia Temer!, pedindo a cassação da chapa Dilma/Temer pela prática de crime eleitoral. O marqueteiro João Santana, que dirigiu a campanha de ambos, declarou ter recebido como forma de pagamento dinheiro de caixa dois. 

Empreiteiros corruptos, pegos pelo mais amplo combate à corrupção da história do nosso país, declaram nas suas delações premiadas ter bancado a campanha da chapa Dilma/Temer. Estamos diante de um escândalo! 

Por que tantos estão mudos? Como não percebem que isso corrói a nossa democracia? Pura expressão do "jeitinho brasileiro", que na verdade se revela, nesse episódio, como um modo de fazer política próprio de republiqueta latino-americana. Vemos o poder econômico, unido ao poder político, com a propaganda de certos setores dos meios de comunicação e anuência da sociedade, acolherem como presidente alguém que jamais falou publicamente sobre o que somente passou a falar após perceber que o mandato da ex-presidente estava por um fio. 

Hoje, temos instabilidade nas ruas. Milhões de brasileiros indignados. Muitos dos que ansiaram pela saída da presidente Dilma, que jamais diriam, "volta, Dilma"; não entendem como Michel Temer pode passar incólume por essa história. 

Cresce o número de desempregados no país. É trágico saber que 12 milhões de brasileiros encontram-se sem trabalho. Quem tem dinheiro para investir desconfia do futuro do atual governo. Insegurança política que produz decadência econômica, para desgraça de milhões de famílias. 

O país precisa de um novo "Junho de 2013". Um movimento de rua pacífico, determinado, suprapartidário; que reivindique da classe governante competência e compromisso com a implementação do ideal de sociedade prescrito pela Constituição Federal. 

"Volta, povo".


OUSADIA DA SALVAÇÃO

A "Parábola do Filho Pródigo" é realmente impressionante. Resumo perfeito do evangelho. Jesus compara as prostitutas e corruptos que se convertiam -arrependendo-se dos seus pecados e recebendo pela fé o perdão gratuito de Deus-, a um jovem que gastou toda a herança que havia recebido do pai e que somente decidiu voltar para casa quando a fome bateu.

No minuto seguinte, ele é encontrado na casa do pai, recebendo seu abraço, participando da festa do retorno, surdo à voz do inconformado irmão mais velho, numa tremenda cara de pau como se nada tivesse acontecido. 

Jesus termina a história dizendo, "Quem não tiver essa cara de pau jamais entrará no Reino de Deus".

Deus não considera "cara de pau" quem voltou para casa do Pai por confiar mais na misericórdia divina do que na sua inocência. Mas, que tem que ter ousadia para entrar no Reino de Deus não há a mínima dúvida. A ponto da religião, da lei, do inferno, da consciência, do padre, do bispo, do pastor, dizerem: "que cara de pau".


QUANDO A BÍBLIA PAUTA O PÚLPITO

A cada 15 dias prego na Igreja Presbiteriana Betânia, em Niterói, na qual estou fazendo uma exposição sobre a Carta aos Gálatas. Transmissão on-line pelo site da igreja!

Gálatas está entre as epístolas mais largamente usadas pelos Reformadores no século 16. Sua importância é incalculável para a defesa da doutrina da justificação pela fé.

Você pode encontrar no YouTube as mensagens anteriores, como também a série completa sobre a Carta aos Efésios. 

A maravilha de pregar -verso por verso livros inteiros da Bíblia- reside no fato de o pregador ser pautado pela Palavra de Deus, forçado, portanto, a falar sobre tudo, mesmo acerca daqueles temas mais controversos dos quais podemos querer fugir para não perder popularidade.

 


TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL PRECISA AGIR RÁPIDO

Há uma ação no TSE que pede a cassação do mandato de Michel Temer pela prática de crime eleitoral. As delações premiadas da Lava-Jato apontam nessa direção. A chapa Dilma/Temer teria sido bancada por amplo esquema de corrupção.

Esta semana, vou a Brasília saber a resposta do TSE ao pedido que amigos e eu protocolamos na sede da entidade, no dia 13 de abril deste ano, cobrando celeridade ao julgamento.

Caso Temer tenha o mandato cassado ano que vem, o Congresso Nacional escolherá o novo presidente da República. 

Por isso, sou a favor do julgamento imediato e, caso seja comprovada a fraude, termos eleições para presidente em 2016. 

Por favor, não se cale. Vamos todos gritar: "Decide, TSE!"


DUPLICIDADE MORAL

6mar2013---liderados-pelo-senador-lindbergh-farias-pt-rj-e-aos-gritos-de-fora-renan-parlamentares-das-bancadas-do-rio-de-janeiro-e-do-espirito-santo-abandonam-a-sessao-do-congresso-nacional-estimada-1362621690509_1920x1080Vimos nos últimos meses, milhões de brasileiros pedirem o impeachment da presidente da República, celebrarem o combate à corrupção, manifestarem satisfação com a prisão de empreiteiros corruptos e declararem que um juiz paranaense estaria salvando a nação. 

A meta é alcançada. A presidente é deposta. 

Assume o cargo o vice-presidente. Acusado de fazer parte de uma chapa que venceu as eleições à presidência com dinheiro da corrupção. Uma ação no Tribunal Superior Eleitoral pede a cassação do seu mandato.

Estamos para viver um dos momentos mais vergonhosos da nossa história. Está em curso o plano de não se tocar mais no assunto da eleição bancada com dinheiro da corrupção. Principal acusação da aplaudida operação Lava-Jato. 

O objetivo é óbvio. Evitar ao máximo novas eleições. Mar de interesses políticos e econômicos. Oceano de excremento.

Qual o problema com tudo isso? A justiça está sendo pisoteada. A utilização da democracia como meio de solução dos problemas da própria democracia está sendo relativizada. O que torna essa mesma democracia exposta àquela espécie de instabilidade encontrada na chamada República das Bananas.

Onde está a indignação que levou milhões a pedirem a cassação do mandato da presidente? Por que os que gritaram "Fora Dilma" não estão gritando "Julgue TSE"? Por que a pressão que foi feita sobre o Legislativo não está sendo feita sobre o Judiciário? 

Você, que tem acesso à informação, vai ficar calado? Essa duplicidade ética é a principal causa de termos como representantes tantos políticos capazes de acreditar que os fins justificam os meios. 

De onde eles saíram?


INSUSTENTÁVEL LEVEZA PRESIDENCIAL

Dilma-temerÉ difícil acreditar no que estamos vivendo. Parece maquinado pelo mal. O país parado há nove meses, aguardando o desfecho de um dos mais radicais procedimentos cirúrgicos a que se pode submeter uma democracia. A operação foi feita. Sangue para todo lado. Organismo político debilitado. País dividido. 

A presidente da República é deposta. Assume o posto o vice-presidente, que pode, a qualquer momento, tomar o mesmo destino.

Uma coisa é absolutamente certa. A posse de Michel Temer não garante o estabelecimento de um ambiente de segurança política capaz de levar, quem visa o lucro, a investir num país no qual 12 milhões de desempregados aguardam, ansiosamente, crescimento econômico que gere oportunidade de emprego. 

Pense no que vem por aí. O caudaloso rio de delações premiadas da Lava-Jato. Devastador, é a palavra. Corre no Tribunal Superior Eleitoral ação que pede a cassação do mandato de Temer. Acusações que empalidecem os motivos do impeachment. Estamos falando de bilhões de verba pública e dinheiro de empreiteiro corrupto bancando a chapa vitoriosa nas últimas eleições à presidência da República. Imagine também um Renan e Cunha presos e entrando na delação premiada. Não ficará pedra sobre pedra.

Vejo algo sórdido no ar. Estão fazendo vista grossa para um escândalo. Estamos falando da subversão da ordem democrática, por meio da cooptação do Legislativo por parte do Executivo; e de eleições bancadas por dinheiro sujo. Estão todos nus! Muitos, contudo, desejosos de manipular a você e a mim, preferem apontar, seletivamente, para a nudez de alguns e não para a de todos. 

O Brasil carece de estabilidade política imediata. Jamais a teremos enquanto não tivermos um presidente com autonomia para governar. Ninguém, entretanto, que chega ao poder está disposto a largá-lo pelo bem de todos e felicidade geral da nação. É mais fácil falar, "diga ao povo que fico", do que dizer, "diga ao povo que saio". 

O destino da presidência está nas mãos do Judiciário, que, mais do que nunca, deve ouvir a voz do profeta Miquéias, que denuncia: "... o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, o grande fala dos maus desejos de sua alma, e assim todos eles juntamente urdem a trama".

Desempregados, dispostos a enfrentar o trabalho mais enfadonho e insalubre, para receber no final do mês salário mínimo, a fim de manter a família pobre, aguardam ação célere e destemida por parte dos seus representantes no Judiciário. 

 

Antônio Carlos Costa