Passei os últimos dias numa conferência cristã na Florida. Havia centenas de pastores, quase todos envolvidos com o trabalho de plantação de igreja. Não se falava de nada que não tivesse relação direta ou indireta com a vida eclesiástica. A importância desses encontros não deve ser menosprezada. Para além do encorajamento que recebemos por via do que é ensinado, o simples contato com tanta gente sonhando, pensando e lutando pelas mesmas coisas, reforça a percepção do grupo de que o que está sendo feito (no caso, o trabalho de plantar igrejas) é absolutamente relevante.
Esse é um fenômeno sociológico. Precisamos de uma estrutura social de plausibilidade para aquilo que cremos, como ressalta o sociólogo Peter Berger. Daí a dificuldade de pessoas manterem-se fiéis ao que crêem quando isoladas dos que partilham das mesmas convicções. Não estou afirmando que tal experiência é o que nos faz crer no que não creríamos de outra forma por pura falta de objetividade racional do que dizemos ser verdadeiro. O que é evidente, contudo, é que essas interações humanas tornam aos nossos olhos mais plausível aquilo que acreditamos, quer criando o contexto sociológico para a sedimentação da mentira, quer servindo de ambiente para o fortalecimento da verdade.
Nos últimos anos participei muito pouco do tipo de encontro supramencionado, estando mais envolvido com reuniões voltadas para a defesa dos direitos humanos. A impressão é a mesma. Parece que não se está lidando com nada mais importante na vida.
Ambas as experiências (o contato com cristãos em congressos de teologia e os encontros com defensores dos direitos humanos) têm me levado a perceber a importância de não circunscrevemos nossos interesses, sejam quais forem (intelectuais, político-sociais etc.) a nenhum movimento que nos faça crer ser detentor do monopólio da verdade e única expressão do que está sendo feito de relevante em favor da humanidade.
Jamais deveríamos abrir mão da relação com aqueles através de cujo contato temos nossas convicções fortalecidas, renovadas e enriquecidas. Essa é a razão pela qual não há cristianismo sem a comunidade da fé. Poderíamos, contudo, ampliar nossa visão sobre o mundo e os seus problemas se mantivéssemos contato com gente diferente, quem sabe, lutando por aquilo que pouco conhecemos.
Nos últimos cinco anos, conforme acabei de dizer, tenho lidando com pessoas que vivem em mundos bastante distintos, seja por verem a vida de modo antagônico, seja por trabalharem em áreas em que não há quase nenhuma comunicação. Venho percebendo alguns fatos.
A mentalidade de grupo pode nos remeter para uma subcultura onde nossos preconceitos e estreiteza mental são aprofundados, incorporar ao nosso trabalho certas preocupações sociais e intelectuais pode tornar nossa vida mais bela e serviço ao mundo mais efetivo, há uma graça que age dentro da igreja e outra que opera de modo supreendentemente maravilhoso do lado de fora, deixar o convívio com a comunidade da fé pode nos privar dessa estrutura social de plausibilidade que renova nosso amor por simples e antigas verdades que jamais devemos deixar cair no esquecimento.
Igreja é central. O evangelho é suficiente para a salvação do homem. Mas como poderíamos tornar a missão da igreja no mundo mais bela e as respostas do evangelho para os problemas da humanidade menos ingênuas se diversificássemos um pouco mais nossas leituras e os nossos relacionamentos. Transitar nesses dois mundos pode nos levar a ampliar a percepção do que é plausível.
Antônio C. Costa

Como a algum tempo que não fazia uma visita, hoje resolvi ver o que está a escrever.É o anseio da minha alma que Jesus seja consigo, e encaminhe seus passos pela vereda da justiça. E que Ele cresça na sua vida de maneira que seja visto pelas pessoas que rodeiam sua vida, que o amor de Jesus fortaleça sua vida, e seja como um rio transbordante. Também resolvi dizer-lhe que embora não te conheça mas em Cristo te amo, e continue a ser luz. Um abraço.
Posted by: antonio | 15/02/2012 at 14:23