LIMITES ESTREITOS DA ÉTICA EVANGÉLICA BRASILEIRA
OS MATÁVEIS

VALORES DOS CANDIDATOS

33686_164287543581398_100000004595576_555153_811076_s A candidata à presidência da república, Dilma Rousseff, tem afirmado que inverdades foram faladas a seu respeito visando prejudicar sua candidatura. Sua indignação deve-se, especialmente, ao fato de que, milhares de católicos e evangélicos, fizeram campanha para que os membros de suas igrejas não votassem na ex-ministra, em razão dos seus supostos compromissos com valores éticos contrários aos professados pelos membros de ambas as igrejas. Isso é um fato. O mais simples contato com o que está sendo veiculado na internet, mostra que milhares se opuseram a ela pelo motivo supramencionado.

Tudo isso, faz-nos pensar no fato, de que faltou nos debates desse ano, uma discussão sobre os valores que regem a vida dos candidatos ao mais alto posto da república. Querer um debate, onde a alma de ambos os postulantes à função de presidente seja revelada, não é moralismo que visa se imiscuir em áreas de foro íntimo, sem a mínima relevância para o exercício do cargo.

Somos aquilo que pensamos. O que julgamos ser verdadeiro costuma reger nossas ações. Ainda que alguns possam dizer que há muita irracionalidade nas justificativas racionais que damos para as nossas paixões ocultas, verdadeiras fontes das motivações humanas e análises racionais, a visão que temos do mundo é que determinará o curso das nossas escolhas. Não importa como esse material emergiu. O que vale é que, uma vez presente no nível da consciência, representará a escolha de caminhos bem definidos. Isso é imensamente significativo numa área na qual, a ideologia política associada à filosofia de vida, exerce papel central nas escolhas do governante.

A população tem o direito de saber que princípios regem a vida de ambos os concorrentes. Sendo assim, seria importante conhecer quais suas referências intelectuais, que livros marcaram suas vidas, qual o seu ponto de vista sobre religião, em que base seus valores morais são construídos, o que eles pensam objetivamente sobre as principais discussões éticas que vieram à tona nessas eleições entre os membros da sociedade civil.

Seria igualmente de grande valor, se oferecessem seu ponto de vista sobre alguns dos comportamentos mais polêmicos do atual governo federal: a forma como lidou com o escândalo do mensalão, a relação com o presidente venezuelano Hugo Chaves, a visita a Mahamoud Ahmadinejad, presidente do Irã, entre outros assuntos mais, que deixaram perplexos os brasileiros mais conscienciosos. 

É do interesse de milhares de brasileiros também, saber o que será feito da massa de cidadãos pobres, que vivem do bolsa família, mas que precisam ser preparados para uma vida mais digna, na qual sejam senhores da sua história, inseridos no mercado de trabalho mediante boa formação educacional. 

Outras questões de ordem prática, que costumam ser regidas por princípios de vida, merecem também tratamento claro e objetivo: Como o povo poderá acompanhar as ações do governo, em especial os gastos públicos? Haverá transparência? Será de fácil acesso? Teremos uma democracia participativa, na qual o povo possa estar mais próximo da classe governante? Que critérios regerão a distribuição da cargos públicos? Será a meritocracia, ou seja, os cargos de grande valor social sendo ocupados pelos mais excelentes, ou veremos o aparelhamento da máquina pública visando a perpetuação no poder? Como a população poderá aferir? Haverá metas claras para cada área de atuação do governo, seguidas de cronograma, tornadas públicas, e caso não sejam alcançadas, representarão a demissão dos ocupantes dos cargos?

Em suma, não podemos votar em quem cujos valores não conhecemos, uma vez que, lá na frente, problemas novos surgirão, e não queremos ver novamente, presidente da república, oferecer respostas para conflitos morais gravíssimos enfrentados pela nação, e passar a impressão de que, no seu ponto de vista, os fins justificam os meios, que se outros fazem, somos livres para fazer também, como ocorreu no maior tropeço ético da nossa democracia depois do regime militar, quando o executivo rasgou a Constituição Federal, ao comprar os votos do legislativo.

Como é a alma desse que vai reger a vida de mais de 190 milhões de seres humanos? Você conhece?



Antônio Carlos Costa

Teólogo calvinista

Presidente do Rio de Paz

Comments

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Mais uma vez o pastor colocou questões sérias para a nossa reflexão.

Fizemos um pealing na sua carica. Veja lá a nova.

MAIS UMA VEZ, UM TEXTO PRIMOROSO, QUERO DISTRIBUIR A MINHA MALA DIRETA .vAMOS DIVULGAR ESSE PENSAMENTO QUE TAMBÉM É O NOSSO !

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