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Teólogo, jornalista e fundador da ONG Rio de Paz
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Leituras 2017

  • RUSSELL, Bertrand : História da filosofia ocidental - Vol II
    O autor prossegue na sua análise sobre a filosofia no mundo ocidental, tratando da influência católica na Idade Média. Seu ódio pelo cristianismo, entretanto, é tamanho, que o faz ser injusto e superficial no tratamento que dá a um período da investigação teológica no qual autores cristãos, que nem sempre pensaram de modo cristão, exerceram papel de destaque. Recomendo a leitura. (***)
  • RUSSELL, Bertrand: História da filosofica ocidental - Vol I
    Esse é o primeiro volume da série sobre a história da filosofia ocidental. Nele, Bertrand Russell trata dos primórdios da filosofia -a impressionante contribuição dos gregos, que praticamente sozinhos apresentaram à humanidade as mais importantes questões filosóficas, os mais diferentes meios de obtenção de conhecimento, as mais diferentes respostas, traçando todo o panorama de um campo de estudo fascinante, que haveria de ser objeto da investigação intelectual de todas as gerações até aos dias de hoje. Pena o ceticismo do autor, que contamina toda a análise crítica que faz. Contudo, vale a pena comprar. (****)
  • NICOLAU, Jairo: Representantes de quem?
    Um livro indispensável para a compreensão dos principais aspectos da representação política no Brasil. Impressiona como o nosso sistema esvazia o sentido e conteúdo do voto, mantém representantes longe dos representados, faz com que um voto em Roraima valha nove vezes o voto de um eleitor paulista e fragmenta a participação político-partidária, num país de dezenas de partidos políticos sem diversidade programática e ideológica que justifique sua existência. Jairo Nicolau nos convence que as coligações partidárias deveriam ser banidas do sistema eleitoral brasileiro. (****)
  • LANDES, David S. : Riqueza e a pobreza das nações
    Eu li esse livro em 2001. Decidi, neste início de ano, relê-lo. Não me arrependi. Está entre os mais decisivos na minha formação intelectual. O historiador Eric Hobsbawn declara que poucos historiadores não ser orgulhariam de ter escrito essa grande obra, redigida pelo renomado professor de história e economia política da Universidade Harvard. Não se esqueça que Hobsbawn, apesar de marxista convicto, fez esse elogio a um livro que apresenta proposta de desenvolvimento econômico bastante liberal e amplamente favorável à globalização. A razão deve-se ao fato de que os argumentos de Landes baseiam-se em evidências históricas irrefutáveis. Apreciei sua ênfase no papel da cultura na prosperidade econômica e seu reconhecimento da influência do protestantismo calvinista nos extraordinários resultados sociais alcançados por parte do mundo ocidental. Lamentei, contudo, falar tão pouco sobre a relação entre a exploração da mão de obra da classe trabalhadora e a riqueza das nações. (*****)
  • HAZARD, Paul: A crise da consciência europeia 1680-1715
    Livro de inestimável valor para a compreensão da radical transformação ocorrida no espírito do homem europeu a partir do final do século 17. Hazard fala sobre o surgimento da Modernidade: principais expoentes, ideias centrais, impacto cultural, conexão com o Renascimento e a Reforma, ruptura com as culturas clássica e medieval e caminho que pavimentou para as profundas mudanças até hoje sentidas pela humanidade em todos os departamentos da vida. Você tem de ler esse livro. (*****)
  • JONES, Martyn Lloyd-Jones: Romanos. Exposição sobre o capítulo 5. A certeza da fé
    Ler suas pregações torna celestial o funcionamento da minha mente. Ele faz-me pensar em Deus, na sua glória, na excelência do evangelho do seu Filho. Essa exposição do capítulo cinco da Carta de Paulo aos Romanos é de uma exatidão, beleza e amplitude que nos faz inevitavelmente amar e confiar mais em Deus. Verdadeiro tônico espiritual. (*****)
  • SEN, Amartya: Identidade e violência
    Uma imensa contribuição ao diálogo que conduz à harmonia entre os homens. Sen mostra com clareza e exemplos históricos a violência como associada ao preconceito, que nos leva a ver as pessoas como portadoras de uma única identidade, que pode ser de matriz religiosa, cultural, ideológica, capaz de a tudo absorver. Prejulgamento que obscurece outros aspectos da sua identidade mais ampla, fazendo-nos perder de vista o que com elas temos em comum. Sua ênfase na eficiência econômica com ética, apta a socializar a riqueza e não perder de vista a dignidade humana, é digna da nossa mais sincera consideração. Leitura de extremo valor. Repito, leia Amartya Sen. (****)
  • SEN, Amartya: Sobre ética e Economia
    O grande economista indiano, ganhador de prêmio Nobel de Economia, nessa série de palestras, procura harmonizar Economia e Ética. O autor mostra que no pensamento de Adam Smith jamais houve essa divisão, tão presente na Economia moderna, que parte do pressuposto da maximização do autointeresse. Numa era na qual decisões governamentais são tomadas por tecnocratas sem alma e o pensamento econômico ignora o pobre, justificando a concentração de riqueza, a crítica de Sen é muito bem-vinda. Recomendo tudo o que ele escreve. (****)
  • FREUD, Sigmund: O mal-estar na civilização
    Um clássico. Impossível ignorá-lo e não se sentir movido a investigar o que esse gênio propõe como causa dos conflitos psíquicos e sociais da humanidade. Impressionante como um homem que pode partir de premissa tão equivocada - a fé em Deus como sintoma neurótico-, pode ir tão longe na análise do funcionamento da psiquê humana e sua relação com o processo civilizatório. As críticas que faz ao marxismo, chamado-o de ingênuo do ponto de vista da sua antropologia, é irrefutável. Diria, bem calvinista! Se você quer entender a vida intelectual dos séculos 20 e 21, tem de ler Freud. Livraço! (*****)
  • HUBERMAN: História da riqueza do homem
    Que livro! Huberman trata da história da economia do feudalismo até os anos 30 do século XX. Discordo da defesa que fez do regime soviético. Creio que ele foi injusto com o protestantismo, revelando ignorância crassa. Penso que parte das soluções marxistas que propõe para os problemas da desigualdade, injustiça social e as sucessivas crises econômicas pelas quais o capitalismo sempre atravessou seria trágico para a humanidade. Sua filosofia de história, contudo, do ponto de vista da relação dos detentores dos poderes político e econômico com a massa de trabalhadores pobres, é irrefutável. A história da humanidade é uma história de exploração. Jamais aconteceu de uma nação progredir sem a exploração do homem pelo homem. Isso salta os olhos. Tudo legitimado por filósofos, economistas, cientistas políticos, burocratas, teólogos. Recomendo fervorosamente a leitura. (*****)

Leituras 2016

  • RIBEIRO, João Ubaldo: Política: quem manda, por que manda, como manda.
    Excelente trabalho de introdução ao pensamento político. Livro que deveria ser adotado em escolas, nas classes de escola dominical e no lar. João Ubaldo foi de rara felicidade: usou escrita clara e simples, soube despertar o interesse do leitor pelo tema -"Somente através da consciência política podemos aspirar à plena dignidade humana e à integral condição de cidadão"-; evitou linguagem ideologicamente enviesada e não tratou ninguém como idiota. Ele tornou o que há de basilar na reflexão política acessível a qualquer pessoa. (****)
  • PINKER, Steven: Guia de escrita
    O subtítulo "como conceber um texto com clareza, precisão e elegância" apresenta o objetivo do autor, professor de psicologia da Harvard. Esperava mais do livro. Creio que temos coisa melhor no Brasil, como o excelente "Comunicação em prosa moderna", do Othon M. Garcia. Contudo, valeu, acima de tudo, o capítulo intitulado "A maldição do conhecimento", no qual Pinker critica escritores que têm dificuldade "em imaginar como é, para outra pessoa, não saber alguma coisa que você sabe". Ele ataca sem piedade o academiquês, e estimula quem escreve a, por meio da prosa clara, elegante e concisa, ajudar o leitor a ver de modo concreto o que está sendo ensinado. (**)
  • SPERBER, Jonathan: Karl Marx: uma vida do século XIX
    Biografia moderna, baseada nas mais recentes publicações dos escritos de Marx. Sperber nos ajuda a conhecer o gênio, a humanidade e as contradições do pensador revolucionário que, como poucos, moldou grande parte da história subseqüente da humanidade. Por esse motivo, ainda que o odeie por discordar das suas convicções políticas, econômicas e teorias que formulou, você deveria conhecer Karl Marx e se familiarizar com suas críticas ao capitalismo e conexões que estabeleceu entre interesses econômicos e cultura. Parece-me que ele e Freud, como poucos, nos ajudaram a ter contato com as motivações egoístas inconfessas dos seres humanos e mundos que eles criam, assustadoramente maus. (****)
  • MARX, Karl. ENGELS, Friedrich : Manifesto do partido comunista
    Essa edição da Editora Universitária São Francisco apresenta uma introdução à história do manifesto, os Estatutos da liga dos comunistas, as reivindicações do partido comunista na Alemanha e o ponto de vista de Engels sobre os princípios do comunismo. Textos de alto valor histórico, e que nos põe em contato tanto com o que há de bom quanto com o que há de perverso e ilusório no comunismo. (*****)
  • MARX, Karl. ENGELS, Friedrich: Manifesto do partido comunista
    Leia-o. Releia-o. Opúsculo que foi capaz de no século 19 antever a globalização e por a nu, com impressionante clarividência, as contradições do regime capitalista, suas inevitáveis crises e seus efeitos na cultura, religião e política. Compararia-o a um banquete maravilhoso, no qual alguém espalhou aqui e ali pitadas de veneno mortal. Separar o joio do trigo desta obra perturbadora significa preservar o sonho de uma alternativa à voracidade e impiedade do capitalismo; note!, cujos méritos são reconhecidos pelos autores do "Manifesto", que não se deixam enganar, entretanto, pelo luminoso que oculta as trevas da opressão. Nesta edição da "Penguin", há o posfácio de Marshall Berman -cuja leitura recomendo fervorosamente. (*****)
  • PATENAUDE, Bertrand: Trótski: exílio e assassinato de um revolucionário
    O autor trata do exílio no México e assassinato de um dos principais líderes da Revolução Russa de 1917, Leon Trótski. A obstinação ideológica de Trotski, que o fez cego para os desdobramentos socialmente trágicos da ideologia pela qual deu a vida, o torna figura pouco interessante. Contudo, o que ele e sua família passaram nas mãos de um dos piores ditadores de toda a história da humanidade, Josef Stálin, é revelador do horror do marxismo-stalinista, incompreensivelmente, tão incensado por tantos intelectuais do século XX. (***)
  • ORWELL, George : A revolução dos bichos
    Clássico. Mais um livro que deveria ser incluído no currículo escolar. Impossível não perceber a mensagem central do autor e passar a amá-la de coração: democracia e Estado de direito são valores que não se negociam jamais. Como alguém já disse, "aqueles que renunciam a liberdade em troca de promessas de segurança acabarão sem uma nem outra". (*****)
  • MILOSZ, Czeslaw: Mente cativa
    Czeslaw Milosz, ganhador de prêmio Nobel de literatura, aborda a experiência vivida pelos países da chamada "Cortina de Ferro", durante o período do marxismo-stalinista. Impressionante o que toda aquela gente passou. Horror indescritível. Eu colocaria esse livro no currículo escolar. Como antídoto contra toda tentativa de se instaurar uma espécie de polícia do pensamento de natureza político-ideológica, que transforma a vida num eterno tormento, capaz de tolerar os piores crimes, em nome de uma sociedade sem classes, na qual o Estado tudo produz, supervisionada por uma classe superior de burocratas cretinos, que exercem poder tirânico sob a economia, as artes, a religião, a literatura. Terminei a leitura do livro dizendo, viva a democracia! (*****)
  • SCRUTON, Roger: Como ser um conservador
    Suas ênfases -nas associações livres, na preservação dos valores ocidentais forjados pelo cristianismo, no valor da democracia, no papel da verdadeira arte, nos limites que estabelece para a atuação do poder estatal, na liberdade de expressão no mundo do politicamente correto, na saída da educação da tutela ideológica do Estado-, devem ser bem acolhidas por todos. Discordo, contudo, dos ataques que desfere contra o Estado do bem-estar social. Tão mal feitos, que me impedem de dar uma nota maior para o livro. Condenar esse modelo político-social é desgraça, em especial, para a América Latina. (***)
  • ORWELL, George : Literatura e Política
    Coletânea de artigos publicados entre 1942 e 1948, no jornal britânico "Observer", durante o período da Segunda Grande Guerra. Análise elegante, sóbria, sensata, sensível, sobre o absurdo da guerra. Gostei da declaração: "O capitalismo leva às filas de auxílio-desemprego, à volúpia por mercados e à guerra. O coletivismo leva aos campos de concentração, ao culto dos líderes e à guerra". (***)
  • LLOYD-JONES, Martyn : Expiação e Justificação
    Mais uma precisa exposição da Carta aos Romanos. As doutrinas da expiação e da justificação -mensagem central do evangelho-, são expostas com rara clareza e fidelidade bíblica. (*****)
  • LATOURETTE, Kenneth Scott: HISTORIA del Cristianismo. TOMO I
    Preparando-me para os 500 anos do aniversário da Reforma Protestante, reli essa excelente, erudita, ampla e ortodoxa apresentação da história do cristianismo, que agora já pode ser lida na língua portuguesa. (*****)
  • GEORGE, Timothy : Teologia dos Reformadores
    Excelente introdução à vida e pensamento de quatro figuras centrais da Reforma Protestante no século 16: Lutero, Zuínglio, Calvino e Menno Simons. (****)
  • LLOYD-JONES, Martyn : Pregação e pregadores
    Leitura imprescindível para aqueles que tomaram a decisão de se dedicarem ao ministério da Palavra. Repleto de sabedoria, conhecimento teológico e familiaridade com a história da pregação. Estudar a teologia da pregação de Martyn Lloyd-Jones significa pensar sobre o tema a partir do ponto de vista do maior pregador do século XX. (*****)
  • DOOYEWEERD, Herman: Estado e soberania
    A mensagem central do autor é que o Estado não deve se intrometer onde não é chamado. O totalitarismo político é perverso. Dooyeweerd faz bem em defender igreja, família, escola, da interferência do poder estatal. Não podemos nos esquecer, contudo, que temos também a ditadura da economia de mercado, que mantém o Estado acuado e o pobre entregue à misericórdia incerta da sociedade e da igreja. O Estado mínimo é também perverso. Achei o livro de pouca ajuda para a luta pela implementação de políticas públicas num mundo pluralista. (*)
  • LIENHARD, Marc: Martim Lutero: Tempo, Vida e Mensagem
    Boa, ampla e sucinta introdução à vida, obra e pensamento de Martinho Lutero. O autor ressalta o que havia de original, belo, cristão, nas ideias e trabalho do grande reformador alemão, sem deixar passar em branco suas contradições. Meu encanto, admiração e gratidão pela vida de Lutero certamente me acompanharão todos os dias da minha vida. (****)
  • LUTERO, Martinho: OBRAS SELECIONADAS (Vol.10). INTERPRETAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO. GÁLATAS E TITO
    Exposição insuperável sobre a mensagem do evangelho. A alma do protestantismo, sua mensagem central e o que motivou Lutero a lutar pela Reforma estão expostos de modo insofismável. Obra-prima. O comentário sobre a Cartas aos Gálatas está entre os cinco livros mais importantes da minha vida. (*****)
  • LLOYD-JONES, Martyn : O justo juízo de Deus
    Exposição de Romanos 2:1-3:20. Ninguém, provavelmente, em toda história do cristianismo foi capaz de expor de modo tão magistral essa passagem das Escrituras. Sua descrição do homem em pecado põe em relevo, com rara habilidade, a necessidade imperiosa de todos, por meio da cruz de Cristo, escaparem do justo juízo de Deus. (*****)
  • EDWARDS, Jonathan: Jonathan Edwards on revival
    Este livro reúne três obras fundamentais de Jonathan Edwards sobre o tema do avivamento: "Uma narrativa de conversões surpreendentes", "As marcas distintivas de uma obra do Espírito de Deus" e "Um relato do avivamento da religião em Northampton 1740-1742". Seu objetivo é falar da natureza da verdadeira obra de avivamento, separando o essencial do que é meramente acidental. Insuperável. (*****)
  • LLOYD-JONES, Martyn : O soldado cristão
    Um oceano de sabedoria. Conselhos que podem livrá-lo das mais infernais ciladas da vida e do que há de perverso neste mundo. Clássico sobre batalha espiritual. (*****)
  • STOTT, John : A mensagem de Efésios
    Comentário conciso, claro, fiel e objetivo da Carta de Paulo aos Efésios. Poucos autores, na história da igreja, souberam defender de modo tão educado suas ideias e apresentar com tamanha doçura as verdades bíblicas, como John Stott. Certamente, ele deve ser considerado um dos cinco teólogos mais importantes dos séculos XX e XXI. (****)
  • LLOYD-JONES, Martyn : O combate cristão
    Sem a mínima dúvida, está entre as cinco melhores obras sobre batalha espiritual de todos os tempos. Um oceano de sabedoria. Livro que o leva a ver como inimaginável deixar de orar e depender da graça divina para viver. Nunca mais sua filosofia de história e compreensão dos problemas políticos, sociais e morais serão as mesmas. (*****)
  • LLOYD-JONES, Martyn : O evangelho de Deus
    Nessa exposição do capítulo primeiro da Carta aos Romanos, o maior pregador do século XX revela, numa tal extensão, a glória do evangelho, que é impossível o crente verdadeiro ter contato com o conteúdo da sua mensagem e não desejar sair pelo mundo anunciando Jesus Cristo. Se você quer compreender a essência do evangelho, mergulhe nessa série de pregação. (*****)
  • LLOYD-JONES, Martyn : Vida no Espírito
    Interpretação magistral de Efésios 5:18 - 6:9. Impressiona pela sabedoria revelada na apresentação dos aspectos práticos do cristianismo. A parte dedicada ao engajamento político do crente revela sua preocupação em fazer o trabalho de púlpito levar a igreja à luta pela justiça social. (*****)
  • LLOYD-JONES, Martyn : As trevas e a luz
    Exposição magistral sobre a vida cristã. Uma das mais belas e profundas demonstrações da diferença entre moralidade e cristianismo. (*****)
  • EAGLETON, Terry: Marx estava certo
    Você pode odiar Marx. O que não deve, por motivo de integridade intelectual, é ignorá-lo e crer numa caricatura forjada pelos que não concordam com seu pensamento. Eagleton, numa análise não completamente isenta, uma vez que é amante do marxismo, nos apresenta um Karl Marx que ainda que não tenha conseguido prescrever o melhor remédio para os males do capitalismo, faz denúncias ao sistema que desmascaram suas profundas injustiças. Em especial, seu sistema de exploração deslavada das forças de trabalho. Vi muita semelhança do pensamento de Eagleton com as críticas que faço no meu livro "Convulsão Protestante" às atuais contradições do universo neoliberal. (*****)
  • LESZEK, Kolakowski: Pequenas palestras sobre grandes temas
    Impressiona a amplitude de conhecimento e a sabedoria desse grande pensador polonês. Embora não concorde in totum com seus pontos de vista, recomendo a todos a leitura dessa coletânea de palestras. Em algumas delas, ele foi genial. (****)
  • DALRYMPLE, Theodore: Podres de mimados
    Torci para a leitura chegar ao fim por causa do suplício que me causava. Que livro chato. Por que o li? Por julgar que me ajudaria a entender o que está acontecendo no Brasil; país onde vejo uma reação ácida de uma direita conservadora e amarga horrorizada com a estupidez e lambanças da esquerda. "Podres de mimados" nada mais representa do que a resistência extremada ao discurso de uma esquerda sentimentalista e ingênua quanto à natureza humana. (*)
  • McGRATH, Alister : As origens intelectuais da Reforma
    O autor mostra as diferenças cruciais entre as raízes intelectuais da reforma alemã e da reforma suíça. Ressalta o papel do escolasticismo e do humanismo na produção teológica da primeira geração de reformadores. Salta aos olhos a importância de Agostinho. A leitura vai requerer paciência, em alguns momentos, devido à quantidade de alusão a disputas teológicas que parecem não ter relação com os problemas teológicos do nosso tempo. Contudo, trata-se de pesquisa moderna, que destaca as descobertas mais recentes feitas por estudiosos da grande obra de renovação espiritual, ocorrida no século 16, que mudou a face da igreja e do mundo. (***)
  • McGRATH, Alister : A revolução protestante
    No ano anterior ao do aniversário de 500 anos da Reforma Protestante, a leitura desse livro é indispensável. McGrath faz uma análise de toda a história do protestantismo, exaltando suas realizações e não o poupando de algumas críticas. Impressiona o vasto campo de conhecimento que domina. Você poderá perceber, entretanto, uma inclinação a tratar com certa condescendência as diferenças que existem dentro do ramo do protestantismo, como se fossem determinadas por meras questões culturais, que não deixam espaço para julgamentos definitivos baseados em evidência bíblica. Essa é a virtude e a fraqueza de alguns historiadores, fruto também do anseio pela neutralidade acadêmica. (****)
  • KOLAKOWSKI, Leszek: Sobre o que nos perguntam os grandes filósofos . Vol. 2
    É crescente meu apreço por esse grande filósofo e historiador polonês, morto em 2009. Nesse opúsculo, com clareza e elegância, apresenta uma síntese do pensamento dos grandes filósofos do mundo ocidental, ressaltando as principais perguntas que seus sistemas filosóficos fizeram emergir. Nesse segundo volume, conhecemos um pouco das ideias de Aquino, Ockham, Nicolau de Cusa, Descartes, Espinosa, Leibniz, Pascal, Locke, Hobbes e Hume. Vale a pena ler. (***)
  • NOBLAT, Ricardo: A arte de fazer um jornal diário
    Claro, conciso, divertido e honesto. Escrito pelo experiente e conhecido articulista do Globo. Leitura obrigatória para todo jornalista, repórter, editor, fotojornalista, dono de jornal e amantes do jornalismo. Uma frase de Noblat sintetiza o valor da profissão de jornalista: "Um jornal é ou deveria ser um espelho da consciência crítica de uma comunidade em determinado espaço de tempo". (****)

20/04/2017