RELIGIÃO E DESUMANIZAÇÃO

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Religião pode nos desumanizar. Crentes nos templos portando suas Bíblias. Pregadores bradando que o homem foi criado à imagem de Deus. Orações em alta voz clamando por avivamento.

Algo, entretanto, ao mesmo tempo, presente na cultura da igreja que impede pessoas de encontrarem nas Escrituras suas verdades mais importantes, que conduz pregadores a serem seletivos na apresentação das implicações éticas da sua exaltada antropologia e que leva pessoas a orarem por avivamento que traga visitantes à igreja para adorar, mas não por avivamento que mova crentes às áreas pobres da cidade para servir.

Por que os que estavam mais envolvidos com as atividades religiosas do templo, na "Parábola do Samaritano", ignoraram a dor do homem que jazia na estrada? Responder a essa questão pode significar preservar a igreja de ter no seu seio os homens e as mulheres mais insensíveis da sociedade.

Antonio C. Costa

Ps. Extraído do livro que estou escrevendo (Azorrague), que será publicado, no início de 2019, pela Editora Mundo Cristão.


MISSÃO INTEGRAL NUM MUNDO DE DORES

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A missão integral da igreja envolve cuidar dos que sofrem. Seja qual for a natureza do sofrimento. Circunscrever o exercício da misericórdia aos pobres significa ignorar a dor dos que se tornaram pobres de um outro modo.

Há gente que daria todos os seus bens em troca do retorno de um grande amor, da cura de um filho ou da restauração da sua saúde. Gente, portanto, que se tornou pobre de outra forma.

Que nenhuma ideologia política nos permita chamar de pequeno burguês o sofrimento de que não é literalmente pobre. Que não sejamos encontrados lutando pela justiça social enquanto ao mesmo tempo trivializamos a dor de quem apesar de ter o pão não consegue mais comer com prazer.

O ministério aos enfermos, aos divorciados, aos enlutados, faz parte da missão integral da igreja. Daquela que segue a Cristo somente.

Antonio C. Costa

Ps. Extraído do livro que estou escrevendo, que será publicado ano que vem pela Editora Mundo Cristão: "Azorrague: os conflitos de Cristo com as instituições religiosas do seu tempo".


IGREJA DOS PERTURBADOS

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Participei na semana passada do congresso da Sepal. Pessoas me procuraram querendo saber sobre o meu trabalho no Rio de Paz e a militância pelos direitos humanos. O que disse?

Não acho que os pastores tenham que reproduzir minha vida. Os chamados variam. Todos iguais em dignidade.

Apenas julgo justo sugerir as seguintes coisas:

1. Que a pregação da igreja não seja aquela espécie de mensagem açucarada que só atrai as figuras mais apáticas da sociedade para o seu seio.

2. Que os jovens mais perturbados e que sonham com a promoção da justiça social encontrem espaço e apoio na igreja.

3. Que a pregação forneça o enquadramento intelectual necessário para que esses perturbados possam dar vazão de modo cristão à sua fome e sede de justiça.

Gostaria de ver mais jovens perturbados nas nossas igrejas.


PEDIDO DE AJUDA PARA O RIO DE PAZ

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Caros amigos, o Rio de Paz está precisando da sua ajuda. Carecemos de 15 mil reais para fechar o mês.

Fizemos opção por trabalhar sem receber verba publica ou manter vínculo político-partidário. A natureza do nosso trabalho não permite, uma vez que ele consiste em exercer pressão sobre o poder público.

Seria ótimo se você se tornasse um contribuinte regular.

Mil perdões por usar desse expediente. Não tive alternativa. Aqui vai o número da conta e agência:

- Banco Itaú. Agência: 1185. Conta: 44820-4 Cnpj: 09.551.891./0001-49. Rio de Paz.

- A fim de que você se torne um mantenedor regular, visite nosso site: http://www.riodepaz.org.br/envolva-se

Grande abraço!

Antonio Carlos Costa
Fundador do Rio de Paz


CULTURA DA ESTUPIDEZ

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A igreja deveria fugir a todo custo da grosseria que ofende e do preconceito que repele. Contudo, a pregação pode atender às expectativas de belicosos e preconceituosos. Temos hoje, no Brasil, igrejas inteiras incapazes de ouvir a voz de Deus por conta desse tipo de pecado. Uma geração de contenciosos.

Como a ignorância é ousada, falam livremente sobre o que faz os cristãos mais maduros temer emitir opinião precipitada, injusta, mal informada, preconceituosa ou que cause embaraço para que alguém se aproxime do evangelho.

Há gente pronta para chamar de comunista, liberal, conservador, esquerdista, capitalista, relativista, feminista, quem está apenas expondo as Escrituras. Como pregar as Escrituras e não ver seus princípios, normas, valores, tangenciarem num ponto ou outro com os valores desses movimentos? Qual deles ensina inverdade do início ao fim?

Outro ponto, como alcançar essa gente para Cristo? Lembro-me de Martyn Lloyd-Jones condenando a atitude de cristãos que confundiam cristianismo com anticomunismo:

“A fé cristã não consiste em anticomunismo, e confio que nenhum de nós mostrar-se-á tão tolo e ignorante ao ponto de permitir que uma igreja, ou qualquer outro interesse, nos iluda e nos desvie de nossa verdadeira mensagem. Crentes que somos, deveríamos estar interessados pelas almas daqueles que abraçaram o comunismo, deveríamos estar interessados pela salvação deles exatamente da mesma maneira como nos interessamos a respeito de outras pessoas quaisquer. Mas, se ao menos por uma vez dermos impressão de que o cristianismo é anticomunismo, então estaremos fechando portas e impondo barreiras, virtualmente impedindo que os comunistas ouçam nossa mensagem de salvação evangélica”.

No seu comentário sobre a Primeira Epístola a Timóteo, John Stott revela preocupação em manter uma tradução fiel das Sagradas Escrituras, que não deixe de expressar o ponto de vista ético sobre o homossexualismo, mas que não seja desnecessariamente ofensiva aos homossexuais:

“Pervertido’ (NIV, REB) não é a melhor tradução, nem ‘sodomita’ (NRSV), porque ambos os termos nos dias de hoje carregam pressuposições e tons que podem expressar a espécie de ‘homofobia’ que os cristãos deveriam evitar”.

Termino com as Escrituras: "Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um" (Cl 4: 5-6).

Antonio Carlos Costa
Ps. Extraído do livro que estou escrevendo, que será lançado ano que vem pela Editora Mundo Cristão: "Azorrague: os conflitos de Cristo com as instituições religiosas do seu tempo.

Pena de John Stott e Martyn Lloyd-Jones...